“Ambiciono um projecto globalizante”

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DentalPro: Que imagem regista da especialidade no seu recente livro Estética em Medicina Dentária?

 João Carlos Ramos: É uma imagem de contemporaneidade, porque hoje a medicina dentária detém um papel crucial no âmbito da saúde. O conceito base da obra passa por congregar o que de melhor se faz nesta área no nosso país. No início, a ideia era reunir poucos autores, mas no final angariaram-se mais contributos que o planeado. Resolvemos alargar a obra a mais especialidades, com o intuito de torná-la mais abrangente e de demonstrar a qualidade dos nossos profissionais.

 

 

DP: Como avalia o caminho seguido pela Universidade de Coimbra ao manter a medicina dentária ligada à sua faculdade de medicina?

JCR: Neste momento prefiro continuar ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), quer como docente, quer como cidadão que paga os seus impostos, na medida em que me preocupo com o uso racional do dinheiro e património público. Deste modo, potenciamos os recursos estruturais, científicos e humanos comuns aos dois mestrados e ainda recolhemos frutos da integração nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). Os nossos alunos beneficiam largamente deste quadro, já que recebem inúmeros doentes e contactam com todo o tipo de patologias e de tratamentos.. Em jeito de remate, acredito que, desde que saibamos articular as estruturas e as potencialidades de cada valência, pertencer à FMUC e aos HUC revela-se uma importante mais-valia.

 

 

DP: A integração nos HUC vem comprovar a necessidade da integrar a medicina dentária no SNS?

JCR: A necessidade já está mais que comprovada. Nós só representamos um exemplo de como é possível essa articulação. Já houve anos em que os nossos alunos atenderam 24 mil consultas do SNS, ultrapassando a média de alguns serviços dos hospitais centrais.

 

 

DP: O que o levou a integrar a candidatura encabeçada por Fernando Guerra?

JCR: Sempre vi a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) não como uma entidade abstracta, mas como uma instituição que me incluía, mesmo não assumindo qualquer cargo nos órgãos sociais. Antes de avançar com a candidatura, eu e o Fernando Guerra conversámos previa e reflectidamente sobre a necessidade de um novo projecto, que serviria para dar continuidade a algumas coisas positivas, mas com uma essência de renovação. A nossa candidatura adoptou o lema “Uma Ordem para Todos”, porque considero que há muitos contributos válidos fora dos grandes centros e do circuito académico. Ambiciono um projecto globalizante, que envolva todos os médicos dentistas, profissionais de saúde e restantes áreas afins. Queremos voltar a atenção para as questões profissionalizantes, criando um verdadeiro espírito de classe.

 

 

DP: Como se acorda esse espírito adormecido?

JCR: O nosso programa de acção contém várias medidas que visam unir os médicos dentistas em torno de um projecto comum, fomentar a medicina dentária no seio das profissões de saúde e reforçar o seu papel na sociedade.

 

 

DP: No que se refere ao poder político, qual a real autoridade da medicina dentária?

JCR: Não temos que pactuar com os interesses políticos, mas sim cooperar. Definitivamente, a OMD deve opor-se de forma construtiva a medidas como o cheque-dentista, que constituem ferramentas de propaganda, e que a curto/médio prazo vão revestir-se de efeitos muito nefastos na saúde oral dos portugueses e na dignidade dos médicos dentistas.

 

 

DP: Como assim?

JCR: O cheque-dentista revela-se um produto com graves carências técnicas, científicas e ético-deontológicas. Do ponto de vista técnico, várias dezenas, ou mesmo centenas, de dentistas já realizaram tratamentos e ainda não receberam qualquer pagamento, o sistema não se encontra acessível na hora de expediente e os médicos dentistas não actuam na selecção e atribuição dos vales. Na perspectiva científica, torna-se inconcebível a conclusão de um plano de tratamento com apenas três cheques. Existem deficiências graves, sendo que o facto de não haver nenhum estudo sobre o impacto e rentabilização destas consultas na saúde oral das pessoas surge como a mais perigosa de todas. Em termos deontológicos é um crime obrigar os profissionais a realizar consultas completamente gratuitas.

 

 

DP: No caso de vencerem as eleições, como antevê o relacionamento com o executivo socialista, que continua a eleger os cheques-dentista como prioridade?

JCR: Mais importante que os partidos, é a mentalidade dos responsáveis pela pasta da Saúde. A nossa primeira medida passará por repensar a estratégia da saúde oral no SNS. Isto para compreender se os recursos seriam melhor aproveitados através do estabelecimento de um SNS eficaz na área da medicina dentária. Não significaria portas abertas a todo o tipo de tratamentos, mas sim um sistema onde os dentistas se integrariam em igualdade de carreira com outras especialidades médicas, apostando-se nos cuidados primários, na prevenção e nos mais desfavorecidos.

 

 

DP: Acredita na vitória?

JCR: Creio plenamente na vitória. Confio que quanto maior for o número de votantes, maiores serão as nossas possibilidades de vencer. 

 

 

BIO: João Carlos Tomás Ramos nasce a 25 de Novembro de 1967, em Ílhavo. Lembra que, aos cinco anos, “gostava muito de trabalhos manuais, e que por isso preguei 50 pregos na porta da cozinha da minha avó”. O sonho de ingressar na Escola Náutica dissipa-se quando considera os largos meses que passaria no mar. A medicina dentária surge “por mero acaso”, mas hoje declara que “nunca encontrei tanta alegria a trabalhar como agora”. Conclui o curso de Medicina Dentária na FMUC, enquanto dá largas à sua outra paixão, o futebol, na equipa da universidade. Professor auxiliar de Dentisteria Operatória e Endodontia da FMUC, lecciona ainda na área de implantologia em cursos de pós-graduação modulares. Actual candidato a secretário-geral da OMD, João Carlos Ramos está ligado à OMD desde 1997, tendo participado na Comissão Científica, e no Conselho Directivo e no Centro de Formação Contínua.

18 Novembro, 2009
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