“Mais atenção aos sintomas da dor”

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DentalPro: Está amplamente comprometido no combate à disfunção temporomandibular (DTM) e à dor orofacial, qual o desafio nesta área?
Jeffrey Okeson: O que quero passar é que, muitas vezes, quando os pacientes dizem “o meu dente dói”, esta sensação não advém da peça dentária, mas sim, por exemplo, do seio maxilar ou mesmo do coração ou é de ordem neurológica.

DP: Qual a abordagem indicada nestas situações?
JO: O trabalho que eu desenvolvo, no Centro de Dor Orofacial da Universidade de Kentucky, assim como na clínica privada, vai no sentido de alertar a comunidade médica para dedicar mais atenção a todos os sintomas de dor. Não há uma fonte de dor única, mas 15 a 30 problemas diferentes, que devem perscrutar-se para compreender a sua efectiva origem. O Centro de Dor Orofacial tem como missão o treino de indivíduos que compreendam o real alcance da dor, para que possam diagnosticar a sua causa e tratá-la mais precocemente e com eficácia reforçada.

DP: Como incrementar então a eficiência da classe dentária no âmbito da dor orofacial?
JO: Tudo começa na educação. São urgentes mais planos de estudos pós-graduados relacionados com a dor orofacial. O reconhecimento e tratamento destes problemas exigem uma preparação apurada e revestem-se de uma extrema complexidade. Os médicos dentistas devem procurar formação que lhes garanta o treino adequado para o rastreio das causas associadas à dor orofacial. Só deste modo os médicos dentistas podem chegar à clínica privada e dominar o diagnóstico da dor orofacial.

DP: O êxito no combate à dor orofacial depende, igualmente, da reunião de várias especialidades médicas. Como funciona esta equipa?
JO: Na minha clínica há especialistas em medicina dentária, psicologia e fisioterapia. Estas são as três áreas médicas essenciais ao tratamento da dor crónica. Os médicos, seja qual for a sua especialidade, devem enviar o doente com dor crónica para o especialista adequado.

DP: O Centro de Dor Orofacial da Universidade de Kentucky tem desenvolvido um trabalho meritório no auxílio a pacientes com DTM…
JO: Fundei este centro em 1977 e, desde então, atendemos pacientes no intuito de perceber a dor. Contudo, o legado do Centro de Dor Orofacial não depende só dos dentistas, mas de uma equipa coesa. Juntamos psicólogos, fisioterapeutas e neurologistas, todos com o único propósito de curar a dor. Actuar em equipa leva algum tempo, porque a dor é algo difícil de circunscrever. Em medicina dentária tende-se a agir, mas nestas alturas importa dar destaque à reflexão.

DP: É conhecido como o “embaixador mundial da dor orofacial”. O que significa este título para si?

JO: Constitui, acima de tudo, um grande elogio. Em 2008, também fui considerado o Dentista Internacional do Ano, pela Academy of Dentistry International. A grande vantagem destas nomeações passa pela oportunidade de viajar por todo o mundo. A participação no XVIII Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas foi a minha primeira vez em Portugal e já estive em mais de 47 países por todo o mundo, com a única finalidade de levar informação aos clínicos para que eles tratem melhor os seus pacientes. O meu objectivo é ter menos pessoas a sofrer de dor, e isso consegue-se formando correctamente os profissionais.

BIO: Jeffrey Okeson nasce a 27 de Junho de 1947 em New Jersey, EUA. Em 1972 forma-se na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Kentucky e, logo de seguida, inicia dois anos de internato no serviço público de saúde norte-americano. Em 1974 regressa à Universidade de Kentucky para leccionar e, em 1977, funda o Centro de Dor Orofacial da instituição. Actualmente, trabalha para a Comissão de Acreditação Dentária, estabelecendo as linhas de orientação dos programas de formação na área da dor orofacial. Com mais de 220 publicações na área da oclusão, é autor de obras de referência em DTM e dor orofacial e considerado pelos pares o embaixador mundial da dor orofacial. Ainda em 2008, é reconhecido como médico dentista internacional do ano, pela Academy of Dentistry International.

 

 

16 Março, 2010
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