Inquérito: Arco Recto ou Arco Segmentado?

Numa área em que a palavra técnica é citada vezes demais, a opinião foi unânime e focou a abordagem naquele que é o elemento essencial em qualquer procedimento, o paciente.

Afonso Pinhão Ferreira defende a flexibilidade no exercício da ortodontia, “já que pertenço ao grupo dos que preferem adequar a mecânica ao paciente e não adaptar todos os pacientes a uma dada tecnologia”.

O actual presidente da Sociedade Portuguesa de Ortopedia Dento-Facial, Américo Ferraz, admite a sua preferência pelo arco recto, sem, no entanto, deixar de notar que “o conhecimento do arco segmentado é de importância fundamental”. O dirigente destaca o conforto do arco recto, em oposição à parafernália que caracteriza a técnica do arco segmentado. “Contudo, o arco segmentado revela-se extremamente útil no maior controlo sobre um dente ou grupo de dentes e evidencia menos efeitos secundários sobre a restante arcada dentária. No meu dia-a-dia, uso-o sobretudo para obter, por exemplo, um maior controlo de ancoragem, intrusão do sector anterior com menor possibilidade de profusão e em todas as situações que exigem um controlo mais explícito”.

O especialista Carlos Silva manifesta a sua preferência “incondicional” pela mecânica segmentada, à semelhança do professor Afonso Pinhão Ferreira, que adianta três razões fundamentais para a sua escolha. “O tratamento com arcos segmentados permite obter, com mais comodidade, a ancoragem diferencial necessária à mecânica, permitindo a racionalização do deslocamento ortodôntico dentro do jogo das forças aplicadas entre as previamente escolhidas resistências móveis e estáveis”. Outra vantagem passa pela “forma mais eficaz e célere com que se processam os movimentos, uma vez que os arcos segmentados autorizam os ortodontistas a guiar as raízes pelos espaços medulares, evitando o contacto retardatário das corticais e os percursos ou espaços exíguos”.

Adepto declarado do tratamento precoce, Afonso Pinhão Ferreira determina ainda que “o tratamento de uma má-oclusão, através de uma adaptação progressiva anatomo-funcional em período de crescimento, impõe o uso da mecânica segmentada”.

Técnicas e diagnóstico
Fã confesso da filosofia bioprogressiva, preconizada pelos especialistas Michel Langlade e Robert Murray Ricketts, Carlos Silva explica que através deste caminho eliminou da sua prática clínica “artifícios acessórios de ancoragem, com menor dependência da colaboração do paciente, e os efeitos secundários próprios do arco recto, nomeadamente a expansão das arcadas e pró-inclinação dos incisivos, com a consequente tendência de recidiva, interferência incisiva e na ATM”.

Dando voz a Rowney Furfuro, o médico dentista prescreve “a necessidade das escolhas terapêuticas estarem intrinsecamente ligadas ao diagnóstico e ao consequente plano de tratamento”. Assim, mais do que nas técnicas, deve-se atentar nos resultados pretendidos. Rowney Furfuro afiança que “não sou escravo de nenhuma técnica ou prescrição”.

Dhebora Bonfante defende que “o médico dentista que pratica ortodontia deve sempre escolher a técnica mais simples e previsível e que executa com mais facilidade”. No que se refere ao seu caso específico, a clínica assume que “quando falamos em tracionamento de caninos, retracção gengival de caninos e verticalização de molares prefiro o arco segmentado, mas nos casos de nivelamento e retracção anterior os arcos contínuos são melhores, já que a mecânica evolui favoravelmente e impõe-se um controlo mecânico mais rigoroso”.

Carlos Silva admite que o essencial neste campo passa por jogar com “os benefícios que cada uma das técnicas acarreta”. Todavia, o especialista acredita que “quem só utiliza arco recto está prejudicado nas suas opções terapêuticas, ainda que os mini-parafusos para ancoragem (TAD) lhes permitam agora ultrapassar algumas limitações inerentes à técnica”.

Em virtude do uso, “cada vez mais indiscriminado que se faz dos mini-parafusos”, Carlos Siva alerta para que “na verdade, a sua real utilidade pode, e deve, circunscrever-se a três ou quatro situações clínicas”.

Ultrapassando o âmbito técnico, Rowney Furfuro remata que “quando me perguntam «que técnica usa?», a minha resposta é, invariavelmente, ortodontia”.

 

2 Junho, 2010
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