“Sinto-me um peixe na água”

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DentalPro: Numa altura de certezas, o que falta provar na implantologia?

Manuel Neves: A próxima etapa é apurar a superfície. Actualmente, os implantes compõem-se de titânio puro, um bom material, mas que é bioinerte, ou seja liga-se ao osso mas não concretiza uma integração perfeita. Neste campo, o ideal passaria por um material tão resistente como o aço e tão biocompatível como as cerâmicas. Mas, como ainda não se encontrou esse material, a investigação actual ocupa-se com o desenvolvimento de superfícies e factores de crescimento que optimizem a adesão ao osso dos implantes em titânio. A ideia passa por garantir biocompatibilidade total, mesmo quando falamos de osso de má qualidade. Para a reabilitação oral é essencial criar osso, mesmo onde ele não existe, de modo a colocar sempre os implantes no ponto correcto, do ponto de vista funcional e estético, porque devem ser os dentes a comandar o local exacto do implante e não o contrário.

DP: A introdução dos zigomáticos contraria esta lógica…

MN: E porque é que os zigomáticos são um fenómeno puramente latino-americano? Porque em termos médico-legais estas coisas pagam-se muito caro. Estamos a falar de implantes de alto risco. Mas, numa altura em que as pessoas querem tudo para amanhã, os zigomáticos permitem uma resposta imediata. Coloca-se no osso zigomático um implante com quatro centímetros e esquecem-se as consequências.

DP: Acredita que este procedimento pode originar problemas sérios?
MN: Há que perceber que estes implantes não obedecem a critérios estéticos ou funcionais, comprometendo o seu desempenho no futuro.

DP: No que se refere ao seu papel à frente da Sociedade Portuguesa de Estética Dentária (SPED), que legado quer deixar aos mais jovens?
MN: Sou presidente da SPED há dois mandatos e conto abandonar o cargo quando a associação tiver pernas para andar. Dar lugar aos mais novos revela-se imperativo para garantir a evolução da especialidade. E há muito boa gente a preparar-se para fazer boa medicina dentária em Portugal.

Manuel Pereira Martins Neves nasce a 12 de Julho de 1956 em Gondomar. Herdeiro de uma família de ourives, cedo começa a trabalhar o ouro, desenvolvendo o gosto pelo pormenor. Ingressa na Escola Superior de Medicina Dentária do Porto (ESMDP) em 1976 e, cinco anos depois, abre a sua própria clínica. Durante cerca de quatro anos é professor assistente da ESMDP e, mais tarde, aceita o desafio da Cespu para assumir a regência de Prótese Fixa. Volvidos cinco anos decide abandonar o ensino, por incompatibilidade com a clínica privada. Já no início de 2000, aceita o convite do presidente do conselho directivo da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), Fernando Peres, para apoiar a pós-graduação de Implantes. Abandona o cargo quando Fernando Peres sai da FMDUP e, actualmente, é professor convidado na pós-graduação em Implantes da Universidade de Santiago de Compostela, presidente da SPED, presidente do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes e gere, igualmente, o seu próprio centro de formação.

 

 

 

7 Julho, 2010
Atualidade

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