“As preocupações estéticas não têm raça, cor ou partido político”

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DentalPro: A medicina estética e a cirurgia plástica estabelecem com os pacientes uma relação mais pessoal, já que lidam com partes do corpo onde se evidenciam verdadeiros traços de personalidade…
Francisco Ibérico Nogueira: Para a maioria das pessoas, a estética assume uma importância fundamental. Os meus mais de 30 anos de experiência provaram-me que, por vezes, há quem sofra mais com uma dismorfia nasal, por exemplo, do que com uma doença crónica. Infelizmente, em certos sectores da nossa sociedade, ainda persiste uma certa tendência para encarar as preocupações estéticas como algo de fútil, o que não pode estar mais errado. Aliás este verdadeiro ‘boom’ na procura da cirurgia estética demonstra que a imagem é uma preocupação transversal a todos os sectores da população. Hoje, a cirurgia plástica democratizou-se. Todos se reservam ao direito de alterar um ou outro traço mais desagradável. As preocupações estéticas não têm raça, cor ou partido político.

DP: Sente que as pessoas entram na sua clínica à procura de estereótipos?
FIN: Sou radicalmente contra a cirurgia baseada em padrões. Quem me procura na esperança de exibir um determinado tipo de nariz não está informado e possui perspectivas irrealistas quanto àquilo que o cirurgião lhe pode oferecer. A cirurgia estética serve para melhorar alguns contornos menos proporcionais, mas, a meu ver, jamais para alterar os traços fisionómicos, a expressividade facial e identidade próprias.


DP: O seu trabalho no rosto, por exemplo ao nível do rejuvenescimento facial, implica atenção à estética do sorriso e às condições da cavidade intra-oral.
FIN: Antes de equacionar qualquer tipo de rejuvenescimento, há que diagnosticar os sintomas de envelhecimento e seleccionar as técnicas adequadas para os atenuar. A componente da estética dentária dispõe-se como elemento de primordial importância. Um rosto bonito reivindica um sorriso agradável e um contorno labial adequado, impondo-se uma proporção dentária adequada e uma articulação mandibular perfeita.

DP: Uma linha de sorriso perfeita é pré requisito obrigatório para uma face mais jovem?
FIN: O sorriso pode melhorar-se, não só pela forma e envolvência dos dentes, mas através de um contorno labial correcto, balanceado com um equilíbrio do perfil nasal e projecção do queixo. Todas as unidades estéticas da face se encontram interligadas, agindo como um todo. A beleza insinua-se em todos os rostos, competindo aos médicos explorar as suas potencialidades. Não existe um sorriso perfeito, existem milhares de sorrisos perfeitos. No fundo, o ideal passa por uma certa imperfeição harmoniosa. A perfeição apresenta-se como um paradigma em constante mudança.

DP: O que pode a medicina dentária aprender com a cirurgia plástica?
FIN: Os médicos dentistas devem observar o reverso da medalha. Há que perceber que a intervenção estética ao nível da cavidade oral não é suficiente e que importa chamar a atenção dos pacientes para outros pormenores estéticos como as rugas perilabiais ou o perfil labial e do queixo.

Francisco Manuel Mora de Ibérico Nogueira nasce a 5 de Maio de 1951 em Coimbra. Ingressa na licenciatura em Medicina e Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, que conclui em 1976. Após o estágio nos Hospitais da Universidade de Coimbra, ruma ao Brasil, com o intuito de se especializar em ginecologia. Contudo, o contacto com os avanços da cirurgia plástica fazem-no mudar de ideias. Especializa-se em Cirurgia Plástica e Reconstrutiva pela Associação Médica Brasileira. Em 1983, regressa a Portugal, iniciando a sua actividade no British Hospital de Lisboa. Após os 12 anos em que esteve agregado a esta instituição, Francisco Ibérico Nogueira decide criar o seu próprio “atelier”. Hoje assume a direcção científica da Clínica Ibérico Nogueira, onde reúne uma vasta equipa de profissionais da medicina e cirurgia estética.

 

6 Agosto, 2010
Entrevistas


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