“Atrás da crise, vem a recuperação”

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DentalPro: Como descreve o mercado atual do setor da Medicina Dentária?

Orlando Monteiro da Silva: Em cerca de 30 anos, Portugal formou mais de 8000 médicos dentistas. Um número que se adivinhava excessivo face à dimensão do país e do mercado. Em 1998, tínhamos já em Portugal sete faculdades de Medicina Dentária para 10 milhões de habitantes. Por outro lado, nos anos ’80, o poder político e os líderes da profissão de então não tiveram condições para implementar a Medicina Dentária no Serviço Nacional de Saúde. Por muito que a OMD fosse alertando e lutando com as limitações que lhe são legalmente impostas, nunca foi possível inverter esta situação. O Estado trouxe-nos até à situação atual. Por um lado, universidades com uma capacidade instalada impressionante; paralelamente uma economia deficientemente regulada que nunca soube lidar de forma natural com os diferentes agentes do mercado. Em suma, um mercado com excesso de oferta perante um universo de consumidores com uma capacidade financeira muito débil, com a agravante da crise entretanto surgida por toda a Europa, com particular virulência no nosso país. Porém, devo dizer que, do ponto de vista da qualidade, estamos a viver um período interessante. Temos profissionais do melhor que há e isso é amplamente reconhecido; a preparação científica dos médicos dentistas portugueses é muito elevada e mesmo em termos de prática clínica estamos, de igual forma, no pelotão da frente a nível mundial; e a nossa rede de consultórios e clínicas apresenta também um nível médio muito interessante, certificada através do licenciamento, o que é uma mais-valia dos próprios locais e uma garantia de qualidade acrescida para a população. Ou seja, a capacidade instalada é boa e o potencial dos profissionais está muito longe de estar esgotado. É uma vantagem. Somos hoje produtores/exportadores de mão-de-obra e de conhecimento, o que é muito relevante para um país como o nosso num mundo globalizado.

DP: De que formas é que a Medicina Dentária está a ser afetada pela crise?

OMS: A Medicina Dentária nunca passaria incólume por entre um temporal generalizado. O fenómeno de recessão económica é transversal e impregnado na nossa sociedade. Esta crise não é apenas uma curva para baixo nos gráficos, é um momento novo em que temos que olhar o futuro com confiança mas cientes de que daqui para a frente pouco ficará como antes. Os padrões de consumo vão alterar-se, as relações de trabalho organizar-se-ão de forma diferente, o papel do Estado na economia modificar-se-á. O sector da saúde não é estanque e terá que se reajustar, tal como a saúde oral. A OMD, e eu, temos vindo a alertar para esta nova realidade que se abre. É claro que estes alertas foram acompanhados por ações concretas. Umas de caráter mais imediato, outras mais pedagógicas, com reflexos ao longo do tempo. É certo que não podemos agir diretamente sobre o mercado. Podemos é contribuir para a sua regulamentação e influenciá-lo de alguma maneira, com o combate ao exercício ilegal e a práticas comerciais abusivas, que visam garantir que todos estejamos no mercado em condições de igualdade; o programa cheque-dentista, que permitiu aos colegas que a ele aderem acesso a um mercado, a um sector da população que de outra forma, dificilmente contactaria com a moderna medicina dentária; a aposta na formação contínua, para assegurar que a medicina oral nacional oferece todas as garantias de manter o seu excelente nível, de uma forma generalizada; a promoção de vários tipos de campanhas de divulgação da saúde oral por parte da Ordem. Devem os nossos colegas ter em atenção que a OMD está legalmente impedida, nomeadamente, de ter funções sindicais; regular preços de forma direta ou indireta; estabelecer quotas de acesso às faculdades.

 

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2 Outubro, 2013
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