“O mundo muda com a gente”

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Crónica da médica dentista Cátia Íris Gonçalves.

“Ai e tal, o/a fulano/a já tem x anos, já não muda”.

A idade é um posto.
Permite-nos certos comportamentos e regalias, isenção de julgamento público.
Depois, também há o
“É a imaturidade e irreverência própria da idade, os jovens são assim, inconsequentes e impulsivos”.
Mais uma vez, a idade é um posto, justificando per si a conduta humana.
Na nossa profissão, a idade avançada serve de desculpa para não aprender mais, não evoluir. A idade tenra justifica as posturas mais irreverentes ou inconsequentes. Ambas as idades extremas servem também de argumento para a execução de um trabalho profissional de qualidade inferior ao que seria óptimo ou bom.

Alguém me disse uma vez que personalidade é uma coisa, carácter é outra. Um bocado como a herança genética – pode-se ser tendencialmente preguiçoso (personalidade), mas trabalhar tanto ou mais do que os outros. Por iniciativa própria. Por construção de carácter. Este último é uma responsabilidade exclusivamente nossa. Trabalhada e aprendida. Moldada consoante a bitola dos “certos” e “errados” (ou “bons” e “maus”) que guardamos no bolso da auto-análise.

Gostava que as pessoas esclarecidas sobre as verdades das personalidades, condutas e carácteres alheios me explicassem onde está o “turning point” destas coisas, já que me sinto uma ignorante na arte de perceber e catalogar alguém como “velho demais para alguma coisa, nomeadamente para aprender, mudar”; ou “novo demais para perceber as consequências da sua conduta”.

Faz lembrar aquela coisa intrigante sobre “estava bêbado/a e não sabia o que fazia”.
Ora: novos, velhos, bêbados e malucos diagnosticados são inimputáveis, concluo.
E até quando se é novo? A partir de que números somos velhos? E quantos copos fazem de nós bêbados automaticamente desculpados pela sociedade? E quais os sistemas de classificação, quais os critérios usados para um momento de “loucura” levar alguém a ser considerado inimputável?

Nunca me senti nova nem velha demais para escolher um caminho, fosse qual fosse. Talvez desejasse não ter que o escolher, mas isso é outra conversa – há coisas que, quando aparecem, têm que ser resolvidas. Normalmente não desaparecem, só por não querermos lidar com elas.
Assim, eu pergunto:
pessoas, porque teimam em usar desculpas para não mudar, não evoluir, não tomar decisões nem assumir responsabilidades? Porque se agarram a estas apreciações tendenciosas, encapotadas de verdades absolutas, para justificarem as vossas inércias, passividade, conforto?”

Crónica completa na DentalPro 103.

 

29 Agosto, 2016
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