Conversas de Dentistas – Parte I

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Crónica da médica dentista Cátia Íris Gonçalves publicada na DentalPro 109, edição do mês de fevereiro.

“Os dentistas são obcecados com a profissão”, dizem os outros todos.
“Só sabem falar de dentes”, “só pensam em bocas”, “estão sempre a falar do mesmo”.
Ah, ah.
O meu riso irónico não deixa de ser genuíno, embora gasto e com esgares de fastio.
Fácil de apontar o dedo ao dentista. Não sendo visto como médico “a sério” – ou seria mais respeitado nas suas deambulações descritivas profissionais – nem como técnico – ou seria acompanhado de reacções de espanto e curiosidade – nem filósofo, ou seria ouvido e apreciado, ainda que incompreendido, na mesma.
Assim, o médico dentista é, muitas vezes, visto como um geek totó que, dadas as horas de trabalho que dedica ao que faz (já que é profissional liberal, ah, ah, que delícia), se apaixona e entusiasma com os desafios diários e os partilha com os demais, sem sucesso impactante nos outros, que não o de ser um mega-chato, de horizonte e intelecto limitados.
Numa reunião social de médicos dentistas, ouvem-se descrições de técnicas, de materiais, de pacientes, de casos atípicos e típicos, verdade. Porque esta área é para malucos. Ah, ah. Pois é. Quem não é maluco por medicina dentária desiste, ou extingue-se. Assim, naturalmente, tipo sobrevivência Darwiniana.
Não é para qualquer um gastar 8 a 12 horas diárias a olhar para um buraco molhado de 4 por 4 cm, fitando e trabalhando áreas de 2mm quadrados, gerindo os cafés diários (para não tremer), as idas ao wc (para não interromper as consultas), as refeições (para não atrasar as marcações), as dores de costas (para não dar parte de fraco/a), tentando conciliar em cada consulta, a forma, cor, textura, beleza, biologia e biomecânica, enquanto controla línguas selváticas, tosses do demo, arranques gástrico-esofágicos, reviradelas de olhos, levantamentos de pulso para cronometrar no relógio o tempo de consulta decorrido, atrapalhações respiratórias e outras, para não mencionar coisitas ainda mais nhecas. (Ah, ah).
E ainda assim, amamos o que fazemos, mesmo quando odiamos alguns momentos.

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6 Março, 2017
Opinião

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