“Adotei a medicina dentária como a minha profissão”

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Manuel Neves dispensa apresentações. Com quase 62 anos, idade que completa em julho, revela um percurso notável, pautado pela ambição de querer estar sempre no topo e um passo à frente do que se faz em medicina dentária, especialmente na área da implantologia.

DentalPro: Como decidiu que queria ser médico dentista?
Manuel Neves: Foi um acaso. O gosto pela área das ciências levou-me a optar pela medicina. Estávamos em outubro de 1975. Porém, na altura, havia excesso de alunos neste curso e alguns deles tinham que ser encaminhados para outras variantes. Eu, por uma mera questão de média, entrei em medicina dentária. É claro que muitos colegas não ficaram contentes com esta situação e regressaram ao curso de medicina. Dos 60 que entraram em dentária permaneceram apenas 30. Eu fui um dos que ficaram. O meu curso, isto em 1978, foi o que espoletou a abertura das faculdades de medicina dentária, apesar de não ter sido o primeiro. Antes deste, houve dois que foram frequentados por alunos descendentes de famílias de dentistas ou que tinham esse sonho desde o início. Eu, sem escolher a medicina dentária em concreto, de repente tive a certeza que estava no lugar certo.

DP: Porquê?
MN: Porque achei que era uma área com futuro e, para além disso, provenho de uma longa geração de ourives, uma arte muito manual e que trago comigo no sangue. Acabei por verificar que a medicina dentária e a ourivesaria são áreas que se tocam muito, principalmente em relação aos utensílios usados. Os instrumentos que usava na altura para fazer aparelhos ortodônticos, por exemplo, eram os mesmos que se usavam nas oficinas dos ourives. E, hoje, estes artistas trabalham com instrumentos exatamente iguais aos da medicina dentária… os motores com que fazem os polimentos das peças, etc., são iguais aos nossos. Portanto, a minha história familiar funde-se muito com a medicina dentária. Talvez por isso tenha sentido que tinha jeito para isto e que tinha futuro nesta área. Não estou arrependido, sinto-me muito confortável com a minha decisão. Adotei a medicina dentária como a minha profissão, aquela em que me sinto bem. Foi um acaso feliz.

Entrevista completa na DentalPro 123.

4 Abril, 2018
Entrevistas

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