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Crónica da médica dentista Cátia íris Gonçalves:

Muitas vezes me apanho a comparar a nossa profissão com outras e a pensar “diabos, como é limitada no seu raio de acção”. Se pensarmos na quantidade de saídas profissionais de cursos como Gestão, Economia, Relações Internacionais ou mesmo Direito – a própria medicina geral – que permitem um leque muito mais abastado de opções de carreira.

Seremos todos, então, seres intelectualmente limitados, na nossa pequenez oral profissional, já que, apesar da vertente inicial da medicina geral ser comum, nos primeiros anos, dedicamos todos os restantes de uma vida “apenas” à boca e estruturas anexas?

Não podemos comparar a nossa pequena abrangência com a de um cirurgião geral, no entanto, de tal forma a medicina dentária foi escalpelizada que cada sub-área abre a porta a uma espécie de micro-mundo, com regras e funcionamentos específicos – há alguma zona do corpo humano onde possamos encontrar tanta variedade de tecidos como osso, vasos, nervos, músculo, mucosa, gengiva, ligamento, cemento, dentina, esmalte, polpa? E com origens embrionárias diferentes e funções tão distintas?

Não estaremos, porventura, a sub-valorizar a nossa profissão, que há muito já deixou de ser encarada como quase meramente técnica/tecnicista, para ser vista – quando assente nas boas práticas – como uma área médica altamente especializada e que, cada vez mais, exige competências muito além das manuais?

Vejamos, por exemplo, a quantidade de materiais e tecnologia existentes no mercado e a serem desenvolvidos, todos os anos – só para os conhecer, a todos, com rigor, seria preciso um curso.

Acresce o facto de a cavidade oral ter uma relação íntima com condições sistémicas, facto que tem, nas últimas décadas, vindo a ser conhecido, tendo a ciência começado a levantar esta e outras pontas de outros véus, como na engenharia genética e biomateriais.

Também todo o médico dentista actual recorre à fotografia para documentação dos seus casos – e para fins demonstrativos para comunicação com colegas, técnicos de prótese e com os próprios pacientes – outra valência que deveria estar, pelo menos no seu modo básico, incluída no programa do curso de medicina dentária, uma vez que a fotografia intra-oral é um tipo de fotografia cheio de truques, especificidades e detalhes.

E, com o zoom in que se tem feito nesta área, temos agora equipas multidisciplinares a cuidar de um mesmo paciente, oferecendo o que cada área tem de melhor, de forma altamente especializada – o que obriga a uma engrenagem intrincada entre as partes para que o todo comunique, articule timings, prioridades, estudo e trabalho clínico efectivo, de forma a conseguir um resultado que já não se aceita em formato de remedeio: os pacientes, cada vez mais exigentes, querem dentes e gengivas de super-estrela – quer na versão americana, mais branca e alinhada, quer na europeia – mais natural em todos os sentidos, mas assumindo a estética a importância de pré-requisito básico e não de um bónus que o tratamento médico/funcional não garante.

Leia a crónica completa na DentalPro 136.

27 Maio, 2019
Opinião

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