Profilaxia antibiótica associada a risco reduzido de endocardite infeciosa

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Um grupo internacional de investigadores e experts da área da Medicina Oral, liderados pelos colegas Giovanni Lodi, Pedro Diz Dios e Valeria Edefonti, publicou recentemente um importante artigo na revista JAMA Cardiology sobre a realização de profilaxia antibiótica e a incidência de endocardite bacteriana depois da realização de tratamentos dentários.

Os autores fazem parte do grupo World Workshop on Oral Medicine VIII constituído por investigadores de vários países como Itália (Giovanni Lodi; Valeria Edefonti; Margherita Gobbo; Federica Turati), Espanha (Pedro Diz Dios), Reino Unido (Martin Thornhill), Africa do Sul (Haly Holmes), Singapura (C. Hong), Tailândia (Pimolbutr), USA (Francesca Sperotto; Katherine France; Laurel Graham; Thomas Sollecito; Peter Lockhart) e de Portugal representado pelo investigador e médico dentista, Luís Monteiro.

Luís Monteiro, professor associado da CESPU é neste momento diretor da Unidade de investigação Unidade de Investigação em Patologia Oral e Reabilitação Oral (UNIPRO). A participação da UNIPRO neste trabalho é fruto dos objetivos de multidisciplinariedade, internacionalização e aposta na investigação cientifica com produção de trabalhos de investigação que possam ser aplicados na sociedade para beneficio da saúde da população.

Este é um importante artigo, sobre uma temática muito complicada onde tem havido falta de evidência científica sobre a necessidade de utilização de profilaxia antibiótica antes do tratamento dentário, com diferentes indicações e até com países que não sugerem o uso deste tipo de profilaxia. Estas preocupações estão relacionadas, por um lado com a possível existência de reações alérgicas em alguns doentes, na potencial contribuição para o aumento das resistências aos antibióticos e, por outro, pela falta de evidência científica para a utilização deste tipo de profilaxia na prevenção de endocardite bacteriana após procedimentos dentários invasivos.

Desta forma, os autores realizaram uma revisão sistemática com meta-análise da literatura existente para avaliar a associação da profilaxia antibiótica e a incidência de endocardite infeciosa após procedimentos dentários invasivos. O trabalho resultante, que incluiu dados de 1.152,345 casos de endocardite infeciosa, concluiu que a profilaxia antibiótica estava associada a um risco reduzido de endocardite infeciosa após procedimentos dentários invasivos em indivíduos de alto risco, mas não naqueles de risco moderado ou baixo/desconhecido. De facto, os indivíduos de alto risco que receberam profilaxia antibiótica antes de procedimentos dentários invasivos tinham menos 59% (IC 95%, 43-71) de probabilidade de desenvolver endocardite infeciosa do que aqueles que não receberam profilaxia antibiótica.

Estes resultados apoiam a utilização de profilaxia antibiótica apenas em indivíduos de alto risco, submetidos a procedimentos dentários invasivos, apoiando as atuais diretrizes da American Heart Association e da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Imagem de Steve Buissinne, Pixabay

22 Abril, 2024
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