“As pessoas exigem função e estética”

Estomatologista de formação, Joaquim Martins dedica a sua experiência e conhecimentos àquele que considera um dos melhores adventos da medicina dentária, a implantologia. A intervenção cirúrgica e o sorriso regenerado dos pacientes ritmam a vida deste médico gaiense.

DentalPro: A implantologia está na moda?

 

Joaquim Martins: Eu não chamaria moda. O que aconteceu foi o desenvolvimento de uma solução formidável que traz conforto e qualidade de vida aos pacientes. Aliás até se pode extrapolar para o crescimento da medicina dentária em geral, pois a sua fraca expressão revia-se no forte edentulismo em Portugal. Qualquer ida ao dentista significava ficar sem um ou mais dentes, daí a má fama que ainda hoje temos. O primeiro passo para a mudança foi a criação dos cursos de medicina dentária, tendo o professor doutor Fernando Peres como a grande figura aqui no Porto. A implantologia, como a conhecemos hoje, nasce neste vórtice do progresso.

 

 

DP: Viveu na primeira pessoa o desenvolvimento da implantologia. Descreva os momentos crucias desta evolução??

 

JM: Comecei com a implantologia há cerca de 18 anos, com um curso ministrado pelo professor brasileiro Pedro Velasco Dias, que foi chamado por um colega e amigo, o Dr. Álvaro Moreira, que nos permitiu aprofundar conhecimentos .

 

DP: Ou seja, o desenvolvimento dependeu do incentivo privado…

 

JM: Sim, porque apesar de termos um campo vasto de aplicação das novas tecnologias nas instituições públicas, e falo enquanto estomatologista, tudo o que representa custos morre à partida. Então nós, que estávamos no Hospital de São João, incentivámos um curso, muito avançado na altura, dividido entre um consultório privado e o Hospital Militar. Tínhamos experiência na cirurgia maxilo-facial e por isso começámos logo a aplicar os conhecimentos e a colocar implantes. No entanto, na altura a nossa única preocupação era a função e, apesar da grande satisfação das pessoas por terem uma estrutura fixa na boca, se a abrissem viam-se muitos metais, que não advogavam a favor da implantologia. E daqui saiu a grande mudança na área, graças à ciência associada como nos desenvolvimentos na manipulação dos tecidos moles e duros, que veio permitir aquilo que se consegue hoje, que é dar função e estética. As próprias pessoas exigiram que assim fosse.

 

DP: Quais os actuais entraves à implantologia?

 

JM: O principal problema é o custo do tratamento. O acesso à implantologia está vedado à maioria da população. Não existe comparticipação do Estado e mesmo as companhias de seguros, avaliam mal e pagam muito abaixo do real custo dos tratamentos. Outro entrave tem a ver com a quantidade de marcas que surgiram em torno da área, por ser um nicho muito rentável para as empresas. A competição de preços é natural e sobressaem as marcas brancas, que não sei até que ponto poderão ter os estudos e investigação necessárias para ter fiabilidade, que é importantíssima na implantologia, à semelhança do que acontece com os medicamentos. Depois em termos da formação, deve impôr-se um grande sentido de responsabilidade.

 

DP: Coordena a formação, em Portugal, da empresa de implantes BTI. Porquê esta empresa em particular?

 

JM: Digamos que tenho experiência com várias marcas, mas depois de conhecer a fundo a filosofia da BTI, rendi-me. Tive a oportunidade de fazer uma formação na sede da empresa, em Vitoria, Espanha, e conhecer o mentor da investigação da empresa, o Dr. Eduardo Anitua, com quem partilho ideais. Entretanto fui convidado para líder de opinião da BTI. De facto, esta companhia para além de fornecer os implantes com uma excelente relação qualidade/preço, prevê todas as situações em implantologia, através de materiais adaptáveis a todos os problemas. Depois algo que é admirável, é o facto de mais de 80 por cento do lucro da BTI reverter a favor da investigação , daí já estarmos a estudar a cultura de tecidos e até células estaminais.

 

 

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