SMD apela à “dignidade no final de carreira”

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O Sindicato dos Médicos Dentistas (SMD) reuniu-se no passado dia 23 de setembro com o Secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, ocasião em que entregou um dossier reivindicativo detalhado relativo à criação de um regime especial de reforma antecipada para os médicos dentistas. O encontro foi considerado muito profícuo, tendo permitido expor de forma aprofundada os argumentos da classe e obter relevantes esclarecimentos quanto ao enquadramento legal e às vias possíveis de concretização deste objetivo. Durante a reunião, Adriano Rafael Moreira afirmou que o Governo está “disponível para analisar com rigor o dossier apresentado pelo SMD e avaliar soluções adequadas no quadro da legislação aplicável”.

Na proposta inicial entregue pelo SMD consta a possibilidade de reforma antecipada sem penalização a partir dos 58 anos de idade/após 30 anos de contribuições, medida que responde ao reconhecido desgaste físico, emocional e ocupacional da profissão. Esta reunião insere-se na sequência do ciclo de contactos que o SMD tem vindo a realizar com todos os partidos com assento parlamentar, reforçando o caráter transversal deste debate e a necessidade de envolvimento de todo o espectro político. O SMD sublinha que está profundamente preocupado com a qualidade da aposentação da classe, e considera que este deve ser um debate ativo e participado. Reconhece-se que até agora não houve uma real preocupação com esta matéria, em grande medida porque só agora começam a reformar-se os primeiros médicos dentistas, fruto da juventude relativa da profissão em Portugal.

Recorda-se igualmente que continua em curso a petição pública que visa forçar a realização de uma audição parlamentar sobre esta matéria, sendo crucial a mobilização de todos os colegas. Paralelamente, após 31 de outubro, será apresentado o Relatório das Profissões de Desgaste Rápido, que servirá de base para uma discussão aprofundada. O SMD considera que estão reunidas as condições para que a medicina dentária seja integrada nesse debate, dado o desgaste físico e emocional, a pressão psicológica do exercício clínico e a exposição continuada a riscos ocupacionais que caracterizam a profissão.

Na União Europeia, este tema tem vindo a ganhar crescente relevo em várias classes profissionais, no quadro da sustentabilidade dos sistemas de pensões e do reconhecimento de atividades cuja longevidade ativa é naturalmente limitada. O SMD entende, por isso, que chegou o tempo de trazer esta questão para o centro da discussão pública e parlamentar em Portugal, de forma clara e determinada.

“O futuro da profissão mede-se não apenas pela valorização do percurso ativo, mas também pela garantia de uma saída justa e digna da vida profissional. O SMD continuará a acompanhar este processo com determinação e, brevemente, apresentará novidades a debater com todos os colegas, num espírito de unidade, transparência e participação. Queremos que cada colega medite e escolha a qualidade de vida que pretende na sua aposentação. As classes mais esclarecidas dos países da União Europeia estão já a debater seriamente este tema, não podemos ficar para trás”, afirma João Neto, presidente da direção do Sindicato dos Médicos Dentistas.

30 Setembro, 2025
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