Estudo associa stress pré-natal à erupção dentária precoce

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Um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Rochester identificou uma ligação direta entre níveis elevados de hormonas do stress durante a gravidez e a erupção precoce dos dentes de leite em bebés. A investigação, considerada a primeira a estabelecer essa relação, sugere que o stress materno pré-natal pode ter impacto no desenvolvimento oral infantil e servir como indicador de envelhecimento biológico acelerado associado à privação socioeconómica. 

A equipa, liderada por Ying Meng, professora associada da Escola de Enfermagem da Universidade de Rochester, analisou dados de 142 mães de baixos rendimentos que engravidaram entre 2017 e 2022. Todas as participantes deram à luz bebés de termo, e durante os segundo e terceiro trimestres forneceram amostras de saliva para a medição de várias hormonas — entre as quais o cortisol, estradiol, progesterona, testosterona, triiodotironina e tiroxina. 

Os investigadores avaliaram o número e o momento de erupção dos dentes de leite aos 2, 4, 6, 12, 18 e 24 meses após o nascimento. A análise revelou uma alta variabilidade entre as crianças, mas uma correlação consistente entre níveis elevados de cortisol salivar nas mães no final da gravidez e erupção dentária antecipada nos seus filhos. Aos seis meses, bebés de mães com o cortisol mais elevado apresentavam, em média, quatro dentes a mais do que os filhos de mães com níveis hormonais mais baixos. 

“Níveis altos de cortisol materno no final da gravidez podem influenciar o crescimento fetal e o metabolismo mineral, alterando a regulação do cálcio e da vitaminaD — ambos essenciais para a mineralização dos dentes e dos ossos”, explicou Ying Meng. “Estes resultados são mais uma evidência de que o stress pré-natal pode induzir envelhecimento biológico precoce nas crianças”, acrescentou. 

Além do cortisol, o estudo identificou associações mais subtis entre outras hormonas maternas — como o estradiol, progesterona e testosterona — e o número de dentes erupcionados aos 12, 18 e 24 meses. Estas hormonas desempenham papéis chave no desenvolvimento fetal, pelo que os autores sugerem que o equilíbrio hormonal durante a gravidez pode influenciar o calendário da erupção dentária. 

Curiosamente, cerca de um terço das mães participantes tinha diagnóstico de depressão ou ansiedade, mas essas condições não mostraram correlação direta com os níveis hormonais nem com a erupção dentária dos bebés. 

Relevância biológica e futura investigação 

A investigação reforça a ideia de que a erupção dentária pode funcionar como uma “janela biológica” sobre o desenvolvimento infantil — refletindo fatores hormonais, metabólicos e ambientais. Para a investigadora Meng, compreender estes mecanismos poderá ajudar a identificar sinais precoces de vulnerabilidade ao stress e desigualdade social, bem como orientar estratégias preventivas em saúde materno-infantil. 

O estudo, intitulado “Prenatal maternal salivary hormones and timing of tooth eruption in early childhood: A prospective birth cohort study”, foi publicado a 18 de novembro de2025 na revista científica Frontiers in Oral Health. 

18 Fevereiro, 2026
Investigação

 
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