Microplásticos colocam a indústria dentária sob escrutínio ambiental

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Um artigo recente publicado na The Atlantic dá a dimensão do desafio: os microplásticos tornaram-se praticamente impossíveis de evitar no quotidiano — e o setor dentário não é exceção. Os materiais à base de plástico transformaram as técnicas restauradoras, mas libertam partículas microscópicas durante procedimentos correntes como a perfuração e o polimento de compósitos.

As águas residuais provenientes das clínicas são um canal privilegiado através do qual essas partículas chegam aos cursos de água e, consequentemente, aos oceanos, onde podem persistir durante décadas. Mais inquietante é a crescente evidência de que microplásticos estão a ser encontrados no sangue e em órgãos humanos, uma descoberta que levanta preocupações tanto para os pacientes como para as equipas dentárias expostas diariamente.

A investigação científica começa agora a quantificar o problema. Um estudo de 2024 publicado na Ecotoxicology and Environmental Safety detetou que compósitos de resina e plásticos de impressão libertam micropartículas mensuráveis quando sujeitos a esforços. Os autores concluem que até os métodos restauradores mais testados podem, inadvertidamente, alimentar a cadeia de poluição microplástica — sublinhando a necessidade urgente de desenvolver materiais alternativos ou de reforçar os sistemas de gestão de resíduos clínicos.

Outra investigação, divulgada na World Academy of Sciences Journal, descreve o fenómeno como uma “invasão silenciosa”. Estudos laboratoriais sugerem que a exposição a microplásticos pode desencadear inflamação, stress oxidativo e disfunção celular, embora os efeitos clínicos concretos na medicina dentária ainda não estejam totalmente esclarecidos. A inquietação dos profissionais é legítima: há riscos potenciais para os pacientes e também para os próprios clínicos, que manipulam diariamente estes materiais.

O debate sobre microplásticos na medicina dentária ainda está a dar os primeiros passos, mas o rumo é inequívoco: a profissão será desafiada a assumir o seu papel na mitigação da poluição plástica. Para os profissionais de saúde oral, o desafio é equilibrar excelência clínica e responsabilidade ambiental — assegurando que a evolução dos cuidados dentários não compromete a saúde humana nem o futuro do planeta.

Fonte: Dental Tribune International

2 Março, 2026
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