Reunião da SPODF debate o futuro da ortodontia

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A Sociedade Portuguesa de Ortodontia e Ortopedia Dento-Facial (SPODF) assinala, em 2026, 40 anos dedicados à ciência ortodôntica. Ao longo deste percurso, promoveu cursos, reuniões, fóruns, publicações e webinars, reforçando o seu compromisso com a divulgação científica, a formação clínica e a reflexão sobre os desafios socioprofissionais da especialidade. Neste contexto, a XXXVII Reunião Anual da SPODF terá lugar no TagusPark, em Oeiras, de 21 a 23 de maio, e François Durand Pereira, presidente da comissão organizadora, antecipa-nos o que se pode esperar deste evento.

Qual é o tema da XXXVII reunião anual da SPODF para o próximo mês de maio? Como justifica esta escolha? 

Nas últimas décadas, a ortodontia afastou-se de filosofias pessoais e passou a organizar-se em torno de debates baseados na evidência científica. Ainda assim, muita da literatura tem fraca robustez metodológica. Praticar ortodontia baseada na evidência exige mais do que ler resumos: implica analisar métodos, vieses, amostras e relevância clínica. Na minha opinião, ficamos frequentemente pela superfície. Em paralelo, redes sociais e marketing agressivo têm privilegiado a forma sobre o conteúdo, promovendo mensagens simplistas como verdades absolutas. Reaparecem teorias pouco sustentadas, por vezes próximas do misticismo, contribuindo para uma crescente banalização da ortodontia, à qual assistimos e deixamos passivamente acontecer. Importa lembrar que a prática baseada na evidência assenta numa tríade: melhor evidência disponível, experiência clínica e preferências do paciente. Quando a evidência é limitada, isso deve ser assumido – e a decisão divide-se entre o paciente e a nossa experiência clínica, que não é mais do que a nossa arte. É neste contexto que surge o tema: “Arte e Ciência: Para onde vamos? Inovações, desafios e o futuro da Ortodontia” — uma reflexão crítica sobre o que sabemos e o que ainda está por esclarecer, recentrando a prática no essencial.

O curso pré-reunião terá como conferencista a Professora Flavia Artese. O que torna este curso um dos destaques do programa? 

“As más oclusões em três dimensões: expandindo o seu olhar clínico” aborda de forma prática as indicações e limitações do tratamento ortodôntico, com base na evidência científica mais atual. Um curso a não perder! A Professora Flavia Artese impressiona sempre pela clareza, qualidade e relevância do que apresenta. 

Que temas vão estar em foco nas sessões do programa científico? 

Apostamos em temas com elevada relevância clínica, como o tratamento do sorriso gengival, a decisão entre extração dentária e distalização da arcada, a gestão de agenesias de incisivos laterais, a ortopedia com aparelhos funcionais ancorados em osso, o planeamento digital e os tratamentos híbridos. Destaco ainda um tema particularmente pertinente: a identificação das causas de insucesso no tratamento da Classe II. Contamos também com um painel de conferencistas ibéricos de referência, que irão apresentar soluções e protocolos para casos complexos com alinhadores e saliento por fim um curso dedicado a assistentes de medicina dentária. 

Que outros oradores vão preencher o programa científico? 

Procurámos um equilíbrio entre conferencistas de renome internacional, como Martyn Cobourne, Carlos Flores-Mir, Hugo De Clerck e Alejandro Iglesias, e nomes nacionais como Saul Castro, Inês Francisco, Joana Cruz e Laurence Masters. Saliento o facto de termos o privilégio de contar com oradores aos quais estamos menos habituados a ver nos palcos da ortodontia, como o João Rua, Cláudia Barbosa e Ricardo Dias. 

No âmbito da habitual exposição comercial, espera uma boa participação da indústria? 

Sem dúvida. À semelhança de edições anteriores, os principais representantes da indústria voltam a associar-se a esta reunião, reforçando a sua relevância e prestígio. Deixo, por isso, um agradecimento especial a todos os patrocinadores, cuja confiança e envolvimento são fundamentais. É esta sinergia que permite à SPODF manter o padrão de qualidade, independência e idoneidade que têm caracterizado os programas científicos ao longo dos anos.

Quais são as expectativas da organização em termos de adesão e impacto deste evento? 

As expectativas são, naturalmente, elevadas, sobretudo pela qualidade dos conferencistas que conseguimos reunir. Serão abordados temas muito atuais, de forma simples, transparente e honesta — características que acredito serem exatamente aquilo que os profissionais procuram neste momento.

 

15 Abril, 2026
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