Portugal triplica número de médicos dentistas em 20 anos
Portugal conta atualmente com 16.571 médicos dentistas inscritos na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), cerca de três vezes mais do que há duas décadas. Destes, 13.876 têm inscrição ativa, o que representa um aumento de 174% face aos 5.056 registados em 2005. Os dados constam da edição especial de 2026 de “Os Números da Ordem”, que assinala os 20 anos do estudo e analisa os dados reportados a 31 de dezembro de 2025.
Desigualdades regionais
O rácio nacional fixa-se em 822 habitantes por médico dentista ativo (121,7 por 100 mil habitantes), abaixo do intervalo de referência da Organização Mundial de Saúde, que aponta para 1.500 a 2.000 habitantes por profissional. A distribuição, porém, é muito desigual: na Área Metropolitana do Porto existe um médico dentista por cada 557 habitantes e na Grande Lisboa por cada 827, enquanto no Alentejo Litoral o rácio sobe para 2.287 e no Baixo Alentejo para 2.028. Segundo o estudo, 43,9% do crescimento líquido dos últimos 20 anos concentrou-se nestas duas áreas metropolitanas.
Emigração em crescimento
As inscrições suspensas quase quintuplicaram, de 532 em 2005 para 2.583 em 2025, com um aumento de 7,3% só no último ano. O exercício da profissão no estrangeiro é o principal motivo (1.455 profissionais, 56,3%), e 72,6% das suspensões estão associadas à saída do país. França lidera como destino (387), seguida de Itália (236), Reino Unido (225) e Espanha (193). A OMD sublinha que este fenómeno inclui tanto a emigração de portugueses como o regresso de profissionais estrangeiros formados em Portugal.
Uma profissão mais feminina, mais velha e mais internacional
As mulheres representam hoje 63,2% dos médicos dentistas ativos (73,5% até aos 35 anos), e a média de idades subiu de 35,8 para 42 anos. Os profissionais estrangeiros correspondem a 32% das novas inscrições em 2025, contra 8,5% em 2005.
Projeções e alertas
Para 2029, as projeções apontam para 15.700 médicos dentistas ativos, com um rácio de 755 habitantes por profissional, o que deverá aumentar a pressão sobre o mercado de trabalho.
O Bastonário, Miguel Pavão, defende que o crescimento do número de profissionais “não resolve, por si só, os desafios da profissão” e pede planeamento da formação e mecanismos de fixação que tenham em conta a coesão territorial. Considera ainda que a carreira de medicina dentária no SNS será um passo importante, mas defende “um pacto para a saúde oral” entre governos, políticos e dirigentes.
A OMD aconselha ainda os candidatos ao curso de medicina dentária a ponderarem as condições de empregabilidade e de exercício profissional em Portugal.
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Foto de Rosario Fernandes na Unsplash
5 Novembro, 2026
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