I Congresso Ibérico de Fendas Lábio Palatinas

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O Porto recebeu o primeiro congresso dedicado às fendas lábio palatinas no nosso país. A Associação Portuguesa dos Amigos das Crianças Portadoras de Fendas Lábio-Palatinas (APFP), em parceria com a Sociedade Espanhola de Fissuras Faciais, colocou “em cima da mesa” a urgência de tratar um malformação congénita que ganha 15 mil novos casos a cada hora que passa.

Nos dias 26, 27 e 28 de Novembro na casa da Ordem dos Médicos na Invicta, cerca de 200 médicos portugueses e espanhóis de 15 especialidades, entre as quais cirurgia pediátrica, obstetrícia, otorrinolaringologia, medicina dentária e estomatologia, conferiram destaque à abordagem transdisciplinar e pré-natal e à etiologia da doença, assim como à sua ligação à ortodontia, à medicina dentária e às malformações associadas. A finalidade foi, para o presidente do congresso e director do serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital de S. João (HSJ) António Bessa-Monteiro, só uma: “tratar melhor as nossas crianças”.

 

O protagonismo da medicina dentária
A medicina dentária é, durante o longo período de tratamento, um componente fundamental, como demonstraram as mesas redondas dedicadas à ortodontia e à saúde oral, presididas pelo director do serviço de Estomatologia HSJ e vice-presidente da comissão organizadora do congresso, João Correia Pinto, e pelo médico dentista Gil Alcoforado.

Preponderante na orquestração do plano de tratamento, a ortodontia assume-se como outra das protagonistas deste plano, como nos conta Rowney Furfuro, ortodontista e membro da comissão científica do congresso. “Estes pacientes têm uma previsão de cirurgias recorrentes no meio bucal e necessitam de manter a sua boca em perfeitas condições”, explica.

A medicina dentária reverteu-se numa constante ao longo dos três dias de intenso debate. O médico dentista Jorge Carneiro falou, igualmente, de um dos pontos mais comuns nos portadores de fendas lábio palatinas, a amelogénese imperfeita, enquanto o especialista Roberto Elias debruçou-se sobre a cárie rampante. João Correia Pinto referiu-se ainda aos implantes dentários como a derradeira fase de reabilitação oral nestes pacientes.

Instituição de referência neste campo de acção, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da Universidade de S. Paulo convocou o seu legado. Omar Gabriel da Silva Filho, ortodontista do HRAC, abordou os protocolos de tratamento neste campo.

Rowney Furfuro não deixou de salientar a presença do director da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, Xavier Malcate, que exibiu perante o auditório uma perspectiva social da doença. “O brilhantismo do professor Xavier Malcata, ao expor a sua experiência de pai e desenhar os traços de uma vida na presença de uma criança, hoje uma jovem, portadora, mais que comovente, foi uma lição de vida”, disse. “Permitiu a todos os profissionais aproximarem-se da humanização necessária que nos dá a medida da sensibilidade empregue no tratamento destes pacientes”, acrescenta.

 

Fusão ibérica “vitoriosa”
Tendo em conta a elevada prevalência do problema, que em Portugal se concretiza em 200 novos portadores de fendas lábio palatinas a cada ano que passa, os modernos meios diagnóstico e as mais recentes abordagens terapêuticas constituíram importantes referências deste encontro.

As ecografias 3D e 4D, o tratamento intra-uterino ou a investigação genética e das bases genómicas das fendas traçaram novas possibilidades. “As pesquisas estão a evoluir”, reforça Rowney Furfuro. “Intervir eficazmente na prevenção do aparecimento destas malformações, talvez pelos caminhos do genoma, e tratá-las de forma a que sejam minimizadas à escala do imperceptível, talvez ainda na fase gestacional, intra-uterina”, são opções em aberto e que fazem a comunidade científica acreditar numa acção mais determinante da medicina.

No imediato, este congresso ibérico converteu-se, nas palavras de Rowney Furfuro, numa “declaração de vitória”, ao demonstrar que “já é possível reduzir o impacto físico, funcional e social” daquela que se apresenta como a segunda malformação congénita mais predominante em todo o mundo.

O embrião gerado por esta fusão ibérica já rendeu três dias de intenso trabalho e pesquisa, que conduziram a novos e importantes contributos para o tratamento das fendas lábio palatinas. A continuidade deste congresso “é já uma certeza”, de acordo com a organização. Com periodicidade bienal, a APFP convoca todos os interessados para um próximo encontro em 2011.

 

 

5 Fevereiro, 2010
Atualidade

 
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