Como será a medicina dentária do futuro?

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Através de uma pesquisa rápida no Google conseguimos compreender a abrangência do futuro que se desenha para medicina dentária. Artigos de opinião, estudos académicos, recomendações institucionais e autênticos compêndios que se debruçam sobre a evolução das tecnologias neste campo e a sua repercussão nos consultórios do dentista fazem as delícias de todos os interessados.

Numa altura em que os jactos de plasma podem substituir a broca do dentista, o panorama de inovações parece não conhecer limites. O aparecimento de grupos de estudo dedicados ao “cultivo” de dentes em laboratório, os nano-materiais ou a utilização do laser ampliam o terreno de acção dos profissionais da saúde oral. Também hoje em dia, a saliva e o ‘biofeedback’ electromagnético assumem-se como ferramentas de diagnóstico, oferecendo aos médicos dentistas a possibilidade de aceder ao estado geral do paciente, contribuindo assim para o reforço do seu bem-estar. Deste modo, a medicina dentária desempenha um papel crucial, ao detectar, anos antes da manifestação de qualquer sintoma, doenças sistémicas e mudar assim o curso da patologia.

 

As questão “Quais as tendências que ditam o futuro da medicina dentária?” foi lançada a cinco médicos dentistas. Diferentes protagonistas, mas uma só conclusão: “o futuro está a acontecer agora”, prenuncia o médico dentista Miguel Stanley.
Fernando Almeida garante que “as novas tecnologias vão facilitar o trabalho dos médicos dentistas, de forma a efectuarmos tratamentos mais rápidos, eficazes e com melhores resultados para o paciente”. O médico dentista coloca em destaque “os sistemas radiográficos digitais e os sistemas de endodontia mecanizada”.

José Maria Côrte-Real prevê que o futuro passará “pela análise genética e bacteriana do paciente”, sendo que “a microbiologia irá evoluir auxiliando o tratamento clínico”. As plataformas CAD/CAM, os ‘softwares’ cirúrgicos e o raio-X, assim como a aplicação do microscópio na endodontia revelam outros desenvolvimentos nesta área, de acordo com o clínico portuense.

Na medicina dentária falar de evolução implica referir a implantologia, onde a inovação é constante. Nesse campo, Fernando Almeida sublinha “os sistemas informáticos cada vez mais avançados, que nos permitem programar as cirurgias de forma a optimizar a colocação de implantes, encurtam o tempo de cadeira e minimizam o desconforto para o paciente”. Miguel Stanley assume, igualmente, a vocação renovadora desta área da medicina dentária, onde “todo o planeamento é agora efectuado previamente via computador e com recurso à sofisticada tecnologia 3D”. Sem hesitar, Miguel Stanley vaticina que “daqui a cinco ou dez anos, um recém-licenciado poderá fazer casos completos só com o auxílio de um computador”.

A médica dentista Vanda Urzal, por seu lado, coloca o paradigma do futuro do lado dos pacientes, que procuram na estética a resposta para o reforço da sua auto-estima e auto-confiança. A avaliação e o reconhecimento dos factores que influenciam a estética facial torna-se essencial para a especialista, que lançou recentemente o livro Estética e Articuladores nas Reabilitações Orais. Vanda Urzal destaca a ainda a premência do trabalho em “ambiente multidisciplinar”, frisando que “a tecnologia e a precisão, agregadas à experiência e ao conhecimento, são fundamentais para um resultado de excelência”.

 

A precisão robótica vs. a “alma do paciente”

Mas o futuro não se reveste só de máquinas. Compete aos recursos humanos a orquestração de todo a parafernália tecnológica e, numa área marcada pela inovação em permanência, impõem-se profissionais actualizados e preparados para responder às necessidades dos seus pacientes. Vanda Urzal defende que “aumentar o número de profissionais com formação técnica, em particular técnicos de prótese e assistentes dentárias, torna-se imperativo na nossa área”. “Deveria reformular-se o ensino, reestruturando a relação entre estes cursos e o ensino universitário”, acrescenta.

Pedro Brito, médico dentista responsável pelo projecto ‘robot’ dentista, acredita que “a robótica pode mudar o paradigma actual da medicina dentária, num futuro muito mais próximo do que julgamos”. Em conversa com a DentalPro, o engenheiro por trás do projecto, Norberto Pires, antecipa um cenário ainda mais apocalíptico. “Neste momento, os ‘robots’ possuem sensibilidade que lhes permite saber quais as forças e direcções que estão a ser exercidas sobre o osso. O médico tem essa sensação, mas não é capaz de a quantificar e o ‘robot’ sabe e regista-o”.

Norberto Pires afiança que a robótica vai alterar radicalmente o exercício profissional. “Atingimos um estádio em que os ‘robots’ são capazes de fazer aquilo que os médicos não conseguem: um trabalho perfeito 24 horas por dia”. Miguel Stanley afirmar mesmo que “vamos ficar obsoletos, vamos ser substituídos por máquinas”. Afastando-se destas considerações, José Maria Côrte-Real defende que “o médico dentista deve ter uma preparação forte em psicologia e neurologia”. No seu entender, “a estrutura médico-tecnológica precisará sempre do médico para revelar a alma do paciente”.

 

 

8 Fevereiro, 2010
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