“Os médicos dentistas têm que dignificar as suas atitudes”

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DentalPro: Porquê criar a Unidade de Cirurgia Maxilofacial do Hospital CUF Descobertas?

Pedro Correia: Após a longa aventura descrita no parágrafo anterior, estava em 2000, com 43 anos e muita vontade de pôr em prática tudo o que tinha aprendido. Não tinha cabimento “enfiar-me” num prédio de escritórios em Lisboa com um consultório igual a tantos outros, estando habituado a uma prática hospitalar de excelência. Exactamente nessa altura, estava em fase final de construção o hospital CUF Descobertas, com condições únicas em termos de instalações e equipamentos. Com a experiência trazida da Bélgica e dos EUA, não valia a pena inventar a roda outra vez. A tarefa parecia-me fácil: era só copiar e replicar as experiências vividas. Na prática não foi tão fácil, porque tinha-me esquecido dum pequeno detalhe: em Portugal vivem os portugueses. Valeram-me os conselhos de alguns amigos mais velhos que me diziam que a tarefa era para um maratonista e não para um ‘sprinter’ e, dois anos após o início da actividade, finalmente entrámos em velocidade de cruzeiro. Alguns “velhos do Restelo” da minha profissão diziam-me que era impossível criar, manter e desenvolver em Portugal uma equipa que procura prestar cuidados de excelência a um grupo de pacientes que nos é referenciado por outros colegas que procuram a nossa colaboração, porque os médicos e os médicos dentistas portugueses são muito individualistas. Hoje, dez anos após, posso afirmar categoricamente que essa atitude derrotista é falsa.

DP: Como antecipa o futuro da Cirurgia Maxilofacial?

PC: Um pouco como o País. Embora a Cirurgia Maxilofacial seja uma especialidade extraordinariamente vital por toda a Europa, em Portugal passamos por um período de alguma estagnação e com poucos profissionais a optarem por formação diferenciada em determinadas áreas que possibilitaria o florescer de técnicas que hoje são prática corrente noutros países. A Cirurgia Maxilofacial clássica passava pela traumatologia e oncologia, mas a política feroz de prevenção rodoviária e o rastreio eficaz em termos oncológicos de hoje, os números alteraram-se muito. Isso fez com que as outras subespecialidades surgissem e, a título de exemplo, tenho vários amigos noutros países que se dedicaram a fundo à Cirurgia Estética Facial, outros à Patologia Congénita ou ainda à Cirurgia Artroscópica da ATM. Dir-me-ão mais uma vez os pessimistas: isso não dá. Porém, desde que os resultados sejam consistentemente bons, este mercado existe e continua à espera de quem aproveite os nichos. Mas, a formação à séria dá muito trabalho, exige espírito de sacrifício e concentração no objectivo final para superar os obstáculos e as contrariedades.

Entrevista na íntegra na DentalPro 43

 

30 Setembro, 2011
Entrevistas

 
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