“Esta não é uma batalha de alguns, é de todos e de sempre”

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A propósito da integração da medicina dentária no Sistema Nacional de Saúde, Orlando Monteiro da Silva – bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) – afirmou recentemente que se trata de uma reivindicação antiga dos médicos dentistas.

“Começaria com uma referência histórica. Em 1986, éramos ainda a Secção de Medicina Dentária da Ordem dos Médicos e foi elaborado um projeto que foi enviado, pelos dirigentes da OMD de então, à ministra da Saúde Leonor Beleza que exigia ao Governo a criação de carreiras de medicina dentária nos centros de saúde e hospitais. Nunca se conseguiram resultados. O projeto foi metido na ‘gaveta’, foi a justificação então dada. Como vemos, o assunto tem ‘barbas’. 30 anos passaram. Assim que iniciei a condução dos assuntos institucionais da OMD, o modelo alternativo de integração no SNS que entendi ser o exequível no sentido de uma efetiva prestação de cuidados curativos à população foi o da criação de um programa público de adesão voluntária, mas a que todos os médicos dentistas pudessem aderir e que otimizasse a rede de clínicas e consultórios instalados. Esta integração da medicina dentária concretizar-se-ia, através do investimento do capital do Estado sim: através da aquisição de serviços de medicina dentária, ao setor privado, para os utentes do SNS, em consultórios privados, com serviços prestados por médicos dentistas: o chamado cheque-dentista. Mais tarde, mais um passo foi dado. Através, ainda, da iniciativa do atual Governo que decidiu começar a testar a justificação de uma carreira própria através do que chamam de experiência piloto: adquirindo-se, por concurso, serviços de medicina dentária a médicos dentistas para a prestação dos mesmos a utentes do SNS nas instalações do SNS. Corria o ano de 2016 e o projeto expandiu-se, em 2017, com o concurso que agora decorre. A reclamação da criação de uma carreira nunca parou, da parte da OMD e dos médicos dentistas. Todos queremos esse reconhecimento para a profissão. Esta não é uma batalha de alguns, é de todos e de sempre”.

O responsável acrescentou, respondendo à contestação de um grupo de médicos dentistas às regras do concurso de acesso ao SNS, que “há formas diferentes de estar e de ver a profissão. Sempre haverá. Essas divergências devidamente integradas devem ser apresentadas pelos respetivos protagonistas à consideração dos médicos dentistas. Mesmo os que reclamam, diríamos de tudo, legitimam este desígnio ou porque o pretendiam ter alcançado antes, ou porque contestam a forma e não o conteúdo. As críticas, todas elas, devem servir à construção de algo, mas a reclamação gratuita, sem rumo e sobretudo quando não se preocupa em informar-se antes de opinar, cria uma minoria que rapidamente é confrontada com a realidade e as suas próprias contradições. Agora chamo a atenção para algumas derivas e formas de estar que, pessoalmente, me preocupam. Muitos focos de divergência não me parecem orientados para o bem da profissão no seu todo, visam defender privilégios que deixaram de ser possíveis conservar, visam diminuir a capacidade de colegas terem mais opções de exercer, etc. O populismo de que tanto se fala vai invadindo as diversas áreas da nossa sociedade e eu espero que os médicos dentistas não permitam que, na nossa área, ele frutifique. As formas de atuar são as de sempre: a intolerância, os falsos moralismos, o aproveitamento de um ambiente económico que não é favorável a muitos, aliados a uma linguagem fácil que se aproveita das tais pós-verdades. Dou-lhe um exemplo que pode parecer caricato, mas que é absolutamente verdadeiro: a linguagem técnica da despesa pública, ou seja, o que o Estado está autorizado a gastar é agregada em lotes de euros. Pois houve quem transferisse num discurso, vão e leviano, o termo financeiro de lote para agregar os próprios colegas em lotes. Isto é divulgado como uma verdade. Mas é apenas ignorância. Houve ainda tentativas de confundir a informação. Afirmou-se categoricamente que a Ordem tinha negociado a carreira de técnicos superiores de saúde. Ora, como referi a opção é a oposta. É uma compra de serviços pelo Estado a médicos dentistas. Estas atitudes são altamente censuráveis, de um autismo opinativo perigoso. Digo perigoso pois a sociedade está atenta aos comportamentos e em última análise quem apregoa falsidades arrisca-se a colocar em causa toda uma imagem de profissionais. Felizmente a realidade fala mais alto e a maioria dos colegas não se deixa embalar por estes cantos de sereia. E nos seus consultórios continua a prestigiar e a credibilizar a profissão”.

Entrevista na íntegra no site da OMD.

4 Maio, 2017
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