SMD “exige redução imediata” do Numerus Clausus para 2027-2028
A urgência de novos parâmetros de avaliação
Foi denunciada com particular acuidade a premente necessidade de mutação dos parâmetros de monitorização da qualidade de ensino.
Numa audição de cariz perentório com o Diretor-Geral, Joaquim Mourato, e com a Subdiretora-Geral, Inês Vaz Pinto, o Sindicato aduziu “reformas estruturais inadiáveis, focadas na sobrevivência qualitativa da profissão em Portugal, vertidas numa exigência categórica: a contração imediata do número de vagas de acesso aos cursos de Medicina Dentária para o ano letivo de 2027-2028”.
“Pilar basilar no estancamento da sobrelotação que satura o mercado”, o SMD propugna, de forma inequívoca, “a transição e salvaguarda do modelo de ensino para os 6 anos de formação”. Esta extensão curricular “afigura-se como o vetor fundamental para garantir o alinhamento com os mais exigentes padrões internacionais e para repor a densidade propedêutica e prática que a complexidade da atividade clínica imperativamente reclama”.
O paradigma vigente faliu no seu propósito teleológico.
Para o SMD, a evidência “é empírica e alarmante: os colegas recém formados confrontam-se hoje com uma manifesta ausência de autonomia clínica, uma debilidade endémica que decorre diretamente das lacunas e do pendor deficitário do atual desenho do curso”. A qualidade pedagógica “não se afere por critérios meramente estatísticos ou quimeras burocráticas, mas sim pela faculdade de dotar o futuro profissional de segurança e independência clínica, algo que a escassez de casuística e o número exíguo de doentes na formação pré-graduada estão a precluir irremediavelmente”.
A anatomia do caos: falta de regulação e vontade política
O SMD reiterou que o atual e precário estado da classe “não constitui um mero anacronismo ou acidente de percurso, antes se consubstancia como o corolário de uma ausência crónica de regulação, de planeamento estratégico e de audácia política. O excesso hiperbólico de médicos dentistas no mercado, alimentado por vagas institucionais desprovidas de qualquer hermenêutica sobre as reais necessidades demográficas, gerou um cenário de saturação que avilta o emprego e desvaloriza o ato médico”.
Entregue o dossier com estas exigências estruturais, o SMD sublinha que “o tempo das dilações e das cedências terminou: ou se reforma o ensino e se regula o acesso com inequívoca coragem política, ou se perpetua a degradação de um setor vital da saúde pública portuguesa”.
12 Junho, 2026
Atualidade
