“Urge trazer mais pessoas para os consultórios”

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DP: Elegeu “os mais jovens, os recém-licenciados com poucos anos de profissão e particularmente aqueles que se inscreveram há pouco tempo na Ordem” como prioridade. O que reserva agora para eles?

OMS: Desde logo, como consta do nosso programa, a formação de um comité, com funções a definir pelo conselho directivo, para lidar com a heterogeneidade que caracteriza esta faixa, que se estende até aos cinco anos de exercício profissional. Também estão já em disponíveis o manual de instalação de clínica e consultório e o manual do médico dentista. O trabalho desenvolvido pelo comité dos jovens médicos dentistas definiu cinco medidas, que prometem abrir portas à acção da OMD neste campo. A primeira passa pelo estágio voluntário, remunerado e acreditado pela Ordem, que julgo ser um instrumento vital para o bom funcionamento da classe. Depois, a acreditação da formação contínua, tornando-a mais acessível aos jovens. De seguida, a valorização da profissão, assim como condições remuneratórias adequadas, contrariando, desta forma, a lógica de mercado actual. Por último, conferir uma figura de regulamento a este comité, de modo a facilitar a integração dos mais novos na profissão, disponibilizando informação na internet, uma bolsa de emprego e estudos que nos permitam caracterizar estes profissionais.

DP: Mas no que se refere à diminuição do número de alunos ou mesmo da eliminação de licenciaturas, qual a efectiva receptividade do meio académico?

OMS: As faculdades têm consciência que esta lógica suicida vai revelar-se comprometedora para a profissão e para a sua própria viabilidade. Esta situação exige uma mudança profunda. Há alternativas em cima da mesa, como a recepção de alunos dos países africanos de língua oficial portuguesa e de outras nações europeias, com aulas em inglês. Por exemplo, poderiam efectuar-se protocolos entre o governo português, as faculdades e os governos de Angola ou Moçambique, assegurando a formação de profissionais nas nossas faculdades, assim como o seu regresso ao país de origem, onde são um recurso essencial.

Outra questão substancial passa pela reorientação das faculdades rumo à pós-graduação, que se revela, cada vez mais, uma necessidade não só académica, mas também profissional. As faculdades são o local ideal para a formação pós-graduada e não se deveriam deixar ultrapassar pelas casas comerciais e pela iniciativa privada, que têm também obviamente o seu lugar neste campo.

DP: No que toca às 12 medidas fundamentais do programa eleitoral da lista A, quais as mais urgentes?

 

OMS: As que considero prioritárias no actual momento passam pelo alargamento dos cheques-dentista a outras faixas etárias e pelo licenciamento das clínicas e consultórios dentários. E vamos prosseguir com os nossos esforços, no sentido de concretizar o nosso objectivo principal: mais acesso à medicina dentária. Urge trazer mais pessoas para o interior dos consultórios e contrariar a falta de pacientes generalizada.

DP: A criação de uma carreira própria para os médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) exibe-se como outra das suas metas…
OMS: Certamente. Já existem, aliás, dentistas a operar na lógica do SNS. Essa integração torna-se crucial, mas defendemos um estatuto adequado às nossas funções, que será sempre de índole médica. Assim, ou avança-se com um ramo de medicina dentária no seio das carreiras médicas já instaladas, ou cria-se algo paralelo, só para a área da medicina dentária. Qualquer uma das alternativas revela-se viável para nós.

 

 

18 Fevereiro, 2010
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