“O trabalho em equipa nesta especialidade é fundamental”

DentalPro: O que caracteriza a Estomatologia?

Carlos Miranda: É uma das especialidades mais antigas da Medicina. Comemorámos em Maio, os 100 anos em Portugal. É a especialidade que trata as doenças do aparelho estomatognático. Tem uma vertente cirúrgica forte, e por isso está integrada nas ditas especialidades cirúrgicas. No hospital estamos integrados no departamento de Cirurgia. No entanto a patologia oral por exemplo, é tão importante como a cirurgia oral. Trabalhamos em equipa no hospital, no serviço de urgência e temos um serviço que funciona conjuntamente com a Cirurgia Maxilo Facial.

DP: Existe uma distinção entre médicos dentistas e estomatologistas na sua actividade clínica?

CM: Mesmo com a definição do acto médico, vai continuar a ser difícil traçar uma linha de fronteira; definir o que cada um pode e não pode fazer. Na verdade, médicos dentistas e estomatologistas partilham a mesma área e praticam basicamente os mesmos actos em 90% da sua actividade clínica. Ao estomatologista, basicamente é-lhe pedido que aplique os seus conhecimentos por ter realizado a licenciatura em medicina, o internato geral e a especialidade de estomatologia.

DP: O que é preciso mudar na Estomatologia, em termos clínicos?

CM: Actualmente, com um universo de sete a oito mil médicos dentistas, já não existe a pretensão do estomatologista em assegurar os tratamentos primários de saúde oral de toda a população. A Estomatologia precisa de valorizar a sua principal vocação, que é a de realizar o tratamento das doenças do aparelho estomatognático e a interlocução com as outras especialidades médicas. Temos de reformular a carga curricular, para adaptar a especialidade ao tempo novo, com novas competências no âmbito dos cuidados diferenciados da saúde oro-maxilo-facial. No fundo, uma especialidade médico-cirúrgica, de cariz essencialmente hospitalar.

DP: Qual a sua opinião sobre a situação de desemprego que afecta muitos recém-licenciados?

CM: Essa é uma pergunta que deve efectuar ao Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas. Já manifestei a minha apreensão por terem permitido a licenciatura de um número tão elevado de profissionais. Tem um lado positivo, porque facilitou as regras do mercado livre. A população em geral tem agora disponível um serviço a preços muito mais concorrenciais que antigamente. As tabelas de honorários, já não são actualizadas há mais de 10 anos. Mesmo assim, ultrapassamos o limite da procura, e actualmente são muitos os recém-licenciados que têm de emigrar. Parece que voltámos a ser um país de emigrantes, como nos idos anos 60.

 

Entrevista na íntegra na DentalPro 41

19 Julho, 2011
Entrevistas

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