SMDP envia carta aberta à ministra da saúde

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O Sindicato dos Médicos Dentistas Português (SMDP) está “muito preocupado com a situação pandémica que assola o nosso país” e com a “discriminação que as entidades competentes reiteradamente têm para com os médicos dentistas”. “Não temos data prevista de vacinação e estamos a ser ultrapassados por outros grupos, até então, não prioritários… talvez pela escassez das vacinas ou pelo atraso da entrega das mesmas, está-se a observar atropelos ao bom senso. Temos de denunciar estes casos”, afirmam.

Leia, em baixo, a carta na íntegra, assinada por João Neto, presidente da assembleia-geral do SMDP:

Excelência,
A situação pandémica em Portugal é bastante grave e o Sindicato dos
Médicos Dentistas Português (SMDP) está apreensivo com o esquecimento
demonstrado pelo poder político perante a nossa classe.
As pandemias, ao envolverem fatores económicos, sociais e de saúde, são um desafio global e constituem uma séria ameaça à saúde pública, exigindo à população mundial o cumprimento de recomendações/normas, que são dinâmicas e evolutivas, no sentido de minimizar o risco de infeção e propagação do vírus. É de vital importância a sintonia na ação entre políticos, gestores, chefias, ordens, sindicatos e profissionais de saúde, no sentido da elaboração de um plano estratégico estruturado e robusto com o objetivo de uma adequada prestação de cuidados aos utentes.
Os médicos dentistas são profissionais de saúde que devido à sua atividade
profissional de assistência a doentes com problemas orais, estão sujeitos a um grande risco de infeção pelo novo coronavírus e, por isso, fazem parte da primeira fase do Plano Nacional de Vacinação Contra a COVID-19 em Portugal, à semelhança do que acontece noutros países europeus. Relembro que encerramos a nossa atividade clínica, no primeiro confinamento, por ordem do despacho nº 3301-A/2020, a 15 de Março, justamente porque, e passo a citar: “que as atividades de medicina dentária, estomatologia e odontologia, pela sua natureza, implicam o contacto direto, próximo e demorado entre o profissional de saúde e o paciente, circunstância que representa risco acrescido de contágio pelo novo Coronavírus SARS-CoV-2, causador da doença COVID-19”.
Contudo, estamos muito preocupados porquanto, os grupos prioritários para a vacinação foram alargados. No entanto, os Médicos Dentistas continuam sem data prevista para o início da vacinação. Apelamos ao bom senso das entidades competentes para não branquearem, nem pactuarem com esta alienação do plano originalmente concebido. Essa falta de transparência é perniciosa. Se não definirmos à partida os critérios, os mesmos poderão sofrer alterações conforme os interesses instalados subordinados a temas sem apoio científico.
Achamos inadmissível que, numa altura de confinamento em que os números de casos disparam, se continue a colocar em risco desnecessário profissionais de saúde que continuam a trabalhar para manter a assistência indispensável e de extrema importância aos seus doentes, evitando a sobrecarga dos hospitais e centros de saúde com situações de urgências de origem dentária ou estomatológica. Sabemos que em França, Inglaterra e noutros países da U.E. os profissionais de saúde oral já foram vacinados, evidenciando o reconhecimento da relevância que a nossa atividade tem nesses países. É incompreensível que reiteradamente a saúde oral seja esquecida em Portugal, assim como a proteção dos seus profissionais.
O SMDP vem exigir conhecer a calendarização e apelar que se denunciem as situações comprovadamente irregulares. Obsecramos para que os Médicos Dentistas não sejam discriminados e colocados à parte dos restantes profissionais de saúde, um cenário particularmente grave pois a medicina dentária é uma atividade médica singularmente exposta a contágio, devido à proximidade de ação e à geração de aerossóis durante o uso de instrumentos rotatórios.
Os profissionais da medicina dentária fizeram grandes investimentos para
cumprir rigorosamente os protocolos de segurança e grandes esforços para manter a atividade aberta neste segundo confinamento. Almejamos que o Ministério da Saúde faça igualmente um esforço para proteger esta classe médica tão indispensável.

27 Janeiro, 2021
Medicina dentária

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