Miguel Pavão à DentalPro: “Este é um Congresso com ambição”

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A edição deste ano é especial pelo cumprimento de 30 anos de Congressos desta Ordem profissional, com o objetivo claro em 2021 de uma “retoma, naquilo que é o reencontro com os colegas, depois de um período dificil para todos os portugueses e profissionais de saúde onde os médicos dentistas se incluem”, mostra Miguel Pavão.

Em declarações à DentalPro, o bastonário da OMD não “esquece” “consequências bastante danosas para a profissão” provocadas pela pandemia, desde logo pelo “encerramento no período inicial e depois um confinamento que obrigou a muitas limitações à atividade da medicina dentária”.

Depois de um “congresso virtual e merecido no ano passado”, este é um “momento de reencontro”, considera Miguel Pavão. É um momento para os “profissionais assistirem à essência da profissão, que é a evidência científica, com um programa científico de excelência, de forma a trazer vários painéis de discussão de temas socioprofissionais. Esses temas vão muito de encontro das preocupações e da agenda diária da situação atual médico-dentária”, sublinha o bastonário.

Temas presentes no Congresso

Os temas socioprofissionais estão também em discussão, como o fecho das fronteiras entre Portugal e Espanha. A OMD decidiu, na primeira vez que o Congresso se realiza em Braga, “abrir as fronteiras aos nossos colegas espanhóis, nomeadamente ao colégio de Corunha, Pontevedra/Ourense/Lugo e ainda ao Conselho Espanhol de Dentistas de forma a estreitar uma relação muito importante, até porque Portugal e Espanha em termos de medicina dentária têm problemas muito similares”, confidencia Miguel Pavão.

Os “abusos da publicidade na saúde, na invasão de grandes grupos que se apoderam da medicina dentária, não respeitando a relação médico-doente e os tempos de consulta” são outras das preocupações que estão em cima da mesa da Ordem, realidade que para o bastonário “leva a uma desqualificação do ato médico dentário”.

Além do mais “os seguros em medicina dentária, e a revisão legislativa da proteção radiológica que afeta a medicina dentária”, são temas em que a Ordem tem “encetado muitos esforços”, numa lei que “nasceu mal à nascença e desproporcionada principalmente para a medicina dentária”. “Temos feito um trabalho muito intensão que começa a dar frutos, mas as incertezas do governo e da sua instabilidade não são boas para quem trabalha. Temos então um governo que muitas vezes persegue quem trabalha”, confidencia Miguel Pavão.

A sentida “não presença” dos decisores políticos

As “incertezas do governo e a sua instabilidade” são uma realidade que para Miguel Pavão condiciona a ajuda estatal no setor. “Temos muita pena não termos representada na nossa cerimónia de abertura ninguém que tutele o Ministério da Saúde, o que demais não nos surpreende”, evidencia o bastonário. Taxativo, Miguel Pavão revela que a Ordem “fez convites durante muito tempo” a Marta Temido, mas a ministra “disse que não poderia estar por questões de agenda”, num ministério que “não valoriza a saúde oral”.

Miguel Pavão salienta “a herança do seu antecessor”, um trabalho “muito bem feito no caso da saúde oral” onde foi iniciadaa a construção das “bases para uma carreira da medicina dentária, a integração dos médicos dentistas no SNS”, algo a que “esta ministra não deu sequência, estagnou este trabalho. Foi pena”, mostra o representante máximo da OMD.

O estado da saúde oral

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas defende que  saúde oral “faz falta aos portugueses”. “Somos dos países da OCDE com mais carências a este nível e que isso não é bom para o nosso desenvolvimento”. Para Miguel Pavão “os benefícios de uma boa saúde oral chegam à saúde sistémica, como por exemplo, nos diabéticos, nos doentes cardiovasculares, na Covid,” passando pela “questão postural, fisiatra, ao nível da motricidade e também a nível social, da autoestima, da empregabilidade, da produtividade individual”.

Para o bastonário estes aspetos “têm sido descurados nos últimos anos, não há vontade política, apenas uma pretensão política que fica apenas nos chavões dos discursos políticos, mas que não se efetiva”.

Os passos já dados, o que falta fazer

Apesar de todas as limitações que o setor da saúde oral vivencia atualmente, Miguel Pavão reconhece os passos interessantes dados como o “cheque dentista, que podia ter evoluído e não evolui, a integração dos médicos dentistas, com o Ministro Adalberto Campos Fernandes e o Secretário de Estado Fernando Araújo, que teve uma sedimentação interessante, mas que também não evoluiu e estagnou, ou só retrocedeu”.

A OMD neste Congresso tinha a intenção de apresentar a Marta Temido uma” proposta para criar uma comissão de planeamento e estratégia para a saúde oral, com a participação da Ordem e de outros intervenientes”.

Miguel Pavão não esquece a possibilidade dos fundos estruturais do PRR, lembrando que estes fundos “não podem servir para chavões, e têm que ser utilizados para efetivamente fazer a diferença”, de forma a dar “uma resposta de alto nível” que “não está a ser aproveitada, porque não há engenho, obra, carisma nem criatividade. Esse é o grande problema”.

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