“São todos casos diferentes e, para mim, são todos casos especiais!”
Com experiência no tratamento de crianças autistas sem necessidade de sedação, Tânia Lourenço, fundadora da Clínica Dental Mind, defende que esta opção evita o recurso a outros fármacos que podem ser mais prejudiciais para o organismo, acabando por ser menos complexa. Por outro lado, “permite desenvolver no paciente, quer um maior controlo do seu comportamento durante as consultas, quer a consciência da importância de alterar hábitos quotidianos para assegurar uma boa saúde oral”.
Pode partilhar connosco um ou mais casos que a tenham marcado especialmente na área do autismo?
São todos casos diferentes e, para mim, são todos casos especiais! O primeiro caso, no ano de 2007, foi o de uma menina com quatro anos de idade com cáries iniciais de fissura nos molares decíduos e que não era colaborante. Na altura existia pouca informação disponível sobre tratamentos dentários de pacientes com P.E.A.. Com a colaboração e empenho da mãe, conseguimos tratar as cáries iniciais, sem recurso a sedação.
Lembra-se de mais algum caso especial?
Outro caso muito interessante foi a realização de um tratamento ortodôntico fixo bimaxilar durante a pandemia de Covid-19 num menino com P.E.A. aos 16 anos de idade, com dificuldades na expressão verbal (só frases curtas) e com dificuldades na socialização. O paciente foi sempre bastante colaborante durante todo o tratamento ortodôntico, e só se descolou um bracket ao longo de todo o processo. Também foi possível corrigir uma mordida aberta severa num menino com 14 anos com P.E.A. (Síndrome de Asperger), em que foram realizadas quatro extrações de pré-molares e foram colocados aparelhos fixos superior e inferior. O paciente foi também muito colaborante, principalmente na utilização de elásticos inter-maxilares, mas todo o processo foi longo pois era um paciente muito sensível e intolerante à dor. Outros casos desafiantes foram algumas crianças com P.E.A. que estavam indicadas para anestesia geral que se encontravam com dor/abcesso. Conseguiram-se realizar as extrações dentárias numa segunda consulta sem ser necessário recorrer a sedação/anestesia geral.
Recorde esta entrevista na revista DentalPro 165.
3 Janeiro, 2023
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