FDI atualiza diretrizes sobre supervisão em medicina dentária
A Federação Dentária Internacional (FDI) aprovou recentemente a revisão da sua declaração política sobre “Supervisão em Medicina Dentária”, durante a assembleia geral realizada no congresso mundial de medicina dentária, em Xangai, China. O documento atualizado clarifica o conceito e reforça a importância da supervisão como um elemento essencial para assegurar cuidados de saúde oral seguros e práticas clínicas de elevada qualidade.
Segundo a FDI, a supervisão em medicina dentária constitui uma relação profissional estruturada entre o médico dentista e os membros da sua equipa, na qual o médico observa, orienta ou valida as intervenções realizadas. Este processo, salienta a organização, não se limita a garantir a segurança do paciente, mas também promove o desenvolvimento profissional contínuo de todos os elementos envolvidos.
As novas diretrizes descrevem diferentes categorias de supervisão, adaptadas às necessidades e enquadramentos legais de cada contexto:
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Supervisão direta: o médico dentista permanece presente durante todo o procedimento, podendo avaliar o paciente antes, durante e depois do tratamento.
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Supervisão indireta: o profissional deve encontrar-se nas instalações e disponível para consulta enquanto o ato é executado.
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Supervisão geral: o médico dentista pode planear o procedimento sem necessidade de presença física, mantendo, porém, total responsabilidade clínica sobre os cuidados prestados.
O documento reconhece ainda novos modelos de supervisão, como a supervisão remota, apoiada por tecnologia de comunicação, e a supervisão em saúde pública, aplicada em programas comunitários. Em ambos os casos, a FDI sublinha que a responsabilidade global permanece com o médico dentista.
A federação alerta que a supervisão não deve servir para substituir ou diluir as responsabilidades clínicas do profissional de saúde oral. Pelo contrário, deve constituir um instrumento de apoio que assegure decisões seguras e centradas no paciente. Assim, o organismo defende a existência de mecanismos de referenciação eficazes para garantir que todos os doentes abrangidos por esses modelos recebam acompanhamento adequado.
A FDI destaca também o valor estratégico da auditoria clínica como mecanismo complementar à supervisão. Embora não se trate de uma forma direta de supervisão, a auditoria é apresentada como uma ferramenta essencial de avaliação e melhoria contínua — permitindo validar processos, identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria, e reforçar a segurança e a qualidade do serviço.
Este processo de monitorização, refere a federação, deve abranger não apenas os atos clínicos, mas igualmente a conformidade com normas regulamentares, qualidade dos registos clínicos, segurança no trabalho e formação contínua.
A versão completa do documento pode ser consultada aqui.
Foto de lafayett zapata montero na Unsplash
17 Março, 2026
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