“Deixem de olhar de fora e venham ver de perto!”

A Mundo a Sorrir traduz-se num trabalho de mérito, congregando hoje cerca de 500 colaboradores. No ano em que comemora o quinto aniversário, a urgência de operar mudanças na saúde oral, seja em Portugal ou no estrangeiro, permanece a mesma. Em entrevista à DentalPro,  o responsável Miguel Pavão instiga os colegas a fazer a diferença.

DentalPro: Numa altura em que se celebram os cinco anos da ONG Mundo a Sorrir, qual o balanço que se impõe?

Miguel Pavão: Destaco, em primeiro lugar, que os ainda poucos anos de vida já nos permitiram concretizar muitos projectos, com um total de 24 mil pessoas a usufruir do nosso apoio. A cerimónia de aniversário que realizámos em Lisboa serviu para demonstrar a todos os voluntários, aos médicos dentistas e aos patrocinadores,  que somos capazes.

DP: Como nasceu a ideia da organização?

MP: O ‘click’ aconteceu quando, mal acabei a licenciatura, fiz voluntariado na Ilha do Fogo, em Cabo Verde, juntamente com a minha colega Mariana Dolores. Aí apercebi-me da carência brutal numa ilha de 40 mil habitantes sem um único dentista. Compreendi o quão essencial era a nossa profissão e senti a responsabilidade inerente. A experiência teve eco em alguns colegas, que nos procuravam para obter informações, e foi este interesse que levou ao nascimento da Mundo a Sorrir.

DP: Em termos práticos, quais os projectos que definem a acção da Mundo a Sorrir?

MP: Contamos com os projectos internacionais, em Cabo Verde e na Guiné. Em Portugal, o projecto CASO, patrocinado pela Santa Casa da Misericórdia do Porto, pela Fundação EDP e pelo  Alto Comissariado da Saúde (ACS), realiza atendimento  a grupos prioritários. Temos ainda o autocarro Saúde Oral Sobre Rodas, em que vamos às escolas fazer prevenção. Em 2010, concretizámos uma parceria com a Universidade do Porto, para promover o atendimento das crianças rastreadas nas escolas da clínica da Faculdade de Medicina  Dentária. Destaco ainda o projecto de rastreio e informação do cancro oral, com o apoio do ACS, e a parceria estabelecida com a câmara de Cascais. Através do apoio do concelho da Grande Lisboa vamos introduzir a escovagem diária e o aconselhamento sobre a alimentação nas escolas. A grande novidade para 2011 reside na ambição de levar o alerta para a saúde oral a toda a faixa interior de Portugal. A partida está apontada para Trás-os-Montes e durante um mês caberá a cada um dos concelhos reunir esforços para concretizar a tarefa.

DP: Quer deixar uma mensagem a todos aqueles colegas que queiram juntar-se à ONG?

MP: Estes projectos dão-nos, no essencial, uma visão muito humana para a vida e para a profissão. O que nós queremos é que todos aqueles que desejam fazer voluntariado deixem de olhar de fora e venham ver de perto!

19 Outubro, 2010
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