É preciso ter cautela!

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Artigo de opinião da autoria do médico dentista Miguel Pavão:

Mais um ano, mais um grande Congresso da OMD.

É inegável que o nosso Congresso se assume como um evento científico de eleição, com reconhecimento pelos seus pares, congregando o que de melhor há no ecossistema da Medicina Dentária.

  • Colegas, muitos e jovens;
  • Jovens estudantes, cheios de incertezas e ambições;
  • Clínicos, docentes, investigadores com o propósito de enriquecer o seu saber;
  • Indústria, delegados e representantes de marcas e empresas com a importante veia comercial e de tecnologia, que é cada vez mais avassaladora e importante na nossa profissão.

O Congresso que, de ano para ano, bate recordes de assistência, também é um momento de reflexão e de auscultação da classe. Pela sua componente social, feita de encontros e reencontros, conseguimos perceber os problemas do “dia-a-dia” de cada um e que no fundo são os problemas de todos nós.

Esta é uma percepção crescente e preocupante, que se traduz em desabafos de jovens colegas, alguns emigrados e outros com mais experiência e mais anos de profissão que relatam situações que nos recomendam cautela para os tempos futuros como Médicos Dentistas.

Quase em simultâneo, no meio de ambiente de festa e onde quase sempre tudo parece estar bem, almejamos as “boas novas” que são sempre anunciadas com pompa e circunstância, num ato de solenidade na sessão de abertura do Congresso. Aqui, ao longo dos anos, as comitivas de distintos políticos que se substituem em sucessivos governos, vêm dizer-nos “nim” às nossas pretensões.

  • Dizem “nim” a uma carreira médica que continua na gaveta do Ministério;
  • Dizem “nim” à regulação efetiva e que devia ser devidamente exigida pelas entidades a quem pagamos sem piedade nem contemplações;
  • Dizem “nim” às condições precárias criadas aos Médicos Dentistas na integração dos cuidados de saúde oral nos cuidados de saúde primários;
  • E fazem de conta, que não querem saber dos Médicos Dentistas que se amontoam na fuga à precariedade e ao desemprego e em desespero encontram um escape pela porta da emigração.

Neste último Congresso, tivemos a voz de um outsider ou como o próprio Prof. Correia de Campos se intitulou , “um estranho”, que elencou prioridades para os problemas que a Medicina Dentária atravessa, consistindo uma dessas medidas na criação de condições para a fixação de jovens no Interior. A ideia é inusitada e certamente arriscada, mas seria interessante perceber como. Uma vez que o próprio Interior não tem uma agenda, nem uma estratégia política definida para o grave problema de desertificação que assola o nosso País.

Na verdade, são muito os problemas que continuam órfãos de reconhecimento, principalmente pelos dirigentes da nossa OMD, onde só se vislumbra o seu agravamento, sendo por isso essencial ter cautela na forma como os encaramos, como os solucionamos ou mitigamos.

Do mesmo modo, é preciso ter cautela na forma como a integração dos Médicos Dentistas é feita. É que se é incontornável que são cada vez mais os colegas que se inscrevem na OMD, é por essa mesma razão determinante que a OMD transmita com mais veemência os princípios e valores que regem a nossa profissão.

E, neste sentido, a cerimónia de recepção aos novos membros que teve lugar neste último congresso, conduzida pela célebre Filomena Cautela e ator Nuno Távora, afamado pela série juvenil “Morangos com Açúcar”, não deveria ser uma espécie de celebração circense, tendo por base um grande evento de humor, com direito a concurso e premiação de trotinetas, mesmo ao jeito de um “Big Show”.

É preciso ter cautela, pois é pelo exemplo que deve ser sempre norteado pela nossa Ordem, que serve de referência na atuação e comportamento da nossa classe profissional, principalmente para quem está na sua fase embrionária e espera ter uma longa vida como Médico Dentista.

É preciso ter cautela…. com o rumo da nossa profissão! Cautela… para o ano haverá mais, seguramente, desde que não seja a Filomena!

4 Dezembro, 2019
Opinião

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