João Caramês: Covid-19 e o impacto na medicina dentária

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O médico dentista João Caramês partilha com a DentalPro qual será o impacto da Covid-19 no ramo da medicina dentária. “Não nos podemos deixar tolher pelo cenário triste que hoje vivemos. A grande maioria das clínicas dentárias são efetivamente pequenas e médias empresas que têm a seu cargo vários colaboradores. Sentir que não conseguimos cumprir as obrigações perante os colaboradores e vermo-nos privados de rendimentos é angustiante. Perante a suspensão abruta que ocorreu, a ausência de faturação das clínicas levou a que a maioria recorresse a medidas como o lay-off para sobreviverem. Desconhece-se ainda quantas não conseguirão reabrir após a quarentena”.

Acrescenta: “Como referi em intervenções recentes vivemos uma situação ímpar na história da profissão. Pela primeira vez os médicos dentistas decidiram suspender a sua atividade, uma decisão posteriormente confirmada por decreto lei do Governo. Assumindo o desígnio que assiste um profissional de saúde num cenário pandémico, a grande maioria dos médicos dentistas disponibilizou-se para esclarecer a população através da linha Saúde 24 ou facultou material de proteção individual a serviços hospitalares carenciados. Apesar do âmbito maioritariamente privado da profissão tudo temos feito para assegurar a segurança da população. A seu tempo creio que esta postura pode e deverá ter um impacto positivo no reconhecimento dos médicos dentistas junto dos órgãos de soberania. Pelo papel que desempenha e pelos fatores de risco a que está exposta, é fundamental que a medicina dentária possa estar mais protegida no futuro”. 

João Caramês diz ainda que “os próximos meses adivinham-se difíceis. A sociedade encontra-se e estará condicionada por medidas de contenção reforçadas por consecutivos estados de emergência e por regras de comportamento social, que bem, ajudaram a salvar vidas durante esta crise. Cabe-nos rever protocolos e assumir uma postura coletiva de proteção da equipa de saúde oral e do paciente. Não podemos falhar neste compromisso. Se proporcionarmos segurança, geramos novamente a confiança de todos os pacientes. Confiança é a palavra-chave”.

Não perca esta e outras opiniões na próxima edição da DentalPro.

8 Maio, 2020
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