Carlos Diniz em entrevista
Com 27 anos, Carlos Diniz fundou aquele que chegou, mais tarde, a ser o maior grupo de clínicas dentárias integradas em Portugal, também com presença em Espanha. Porém, após anos de sucesso, “O meu dentista” enfrentou um processo de reestruturação que terminou em insolvência. Nada que fizesse Carlos baixar os braços. Como refere nesta entrevista à DentalPro, fez o luto e ergueu-se de novo. Fundou recentemente a DENTRAL, que se assume como uma revolução na medicina dentária e a maior aliança de clínicas dentárias.
Com 25 anos fez o seu primeiro milhão de euros em vendas. Como analisa o seu percurso até aí?
Foi um percurso natural. Na altura era um jovem (como tantos outros) que queria ter o meu próprio negócio. Estava no início de carreira, num departamento de marketing de um grande banco. Entretanto surgiu a oportunidade do franchising (modelo mais simples de se iniciar um negócio), e abri uma clínica dentária. O negócio foi-me apresentado pela irmã de um amigo (dentista) que também tinha optado pela via do franchising para abrir a sua clínica. Foi assim que tive o meu primeiro contacto com a medicina dentária.
Quando deu início ao projeto “O meu dentista”, com 20 clínicas em centros comerciais, qual era o conceito que queria implementar?
O conceito era claro. Fomos os primeiros a introduzir o conceito de democratização de acesso à medicina dentária. A melhor forma de o fazer era em locais cujo market access fosse o mais óbvio possível. Há muitos anos, era impensável vermos farmácias em centros comerciais, depois começámos a ver cabeleireiros, depois empresas de estética. Faltavam as clínicas. Nisso fomos pioneiros. No fundo, queríamos um acesso facilitado. Aberto 363 dias por ano (as clínicas fechavam dia 25 de Dezembro e dia 1 de Janeiro). A tudo isto juntávamos a facilidade de pagamento (muito utilizada em todos os grandes grupos) que permite captar muito mais clientes, que de outra forma nunca poderiam fazer um tratamento integral (por não terem a capacidade de pronto pagamento). Isto passa despercebido a muitos, mas os grandes grupos não roubaram quota aos mais pequenos. O que fizeram foi aumentar brutalmente o valor de mercado. Criaram mercado que não existia. E correm sozinhos.
Com um crescimento exponencial de ano para ano, o que acabou por correr mal?
Hoje, julgar a história é fácil. Muito do trabalho que realizámos é reconhecido como tendo tido muito valor. Desbravámos muito caminho. Tal como reconheço que outros grupos trouxeram um desenvolvimento ímpar à medicina dentária em Portugal nos últimos anos. O mercado de há 20 anos é totalmente distinto daquele que encontrámos há 10 anos, e ainda mais distinto do de hoje em dia. Houve algumas questões que correram menos bem, entre crescimento exponencial, internacionalização e conjuntura interna. Por vezes, o momento é o mais relevante. Hoje, e dada a experiência, com toda a certeza teríamos tido outras opções. Fica a lição.
Entrevista completa na próxima edição da DentalPro.
22 Outubro, 2021
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