Fuga de médicos dentistas preocupa OMD

Imagem da notícia: Fuga de médicos dentistas preocupa OMD

O Diagnóstico à Profissão 2025 confirma uma tendência crescente de saída de profissionais da medicina dentária portuguesa. Entre os fatores apontados para esta “fuga” estão a instabilidade económica e profissional: 55 % dos inquiridos referem rendimentos insatisfatórios, 46,2 % denunciam instabilidade salarial, e 42,2 % destacam a falta de proteção social.

A instabilidade laboral agrava-se pela prática generalizada através de recibos verdes e contratos precários — 26,5 % apontam ausência de contrato formal — e pela inexistência de uma carreira estruturada no sistema público: 24,7 % consideram esta lacuna decisiva na sua decisão de emigrar. O fenómeno é particularmente grave entre os mais jovens: 41,7 % dos médicos dentistas com menos de 30 anos planeiam emigrar antes mesmo de concluir o curso, antecipando-se a uma realidade profissional pouco promissora em Portugal.

Para travar esta sangria de profissionais, a OMD exige medidas estruturais urgentes no próximo orçamento do Estado (OE 2026): entre estas, propõe a criação de uma “Carreira Especial de Médico Dentista” no serviço público, garantindo estabilidade, progressão e condições equiparadas às restantes carreiras médicas. Além disso, a OMD defende a atribuição de parte da receita de impostos sobre bebidas açucaradas à saúde oral, reativação dos gabinetes de medicina dentária nos centros de saúde e reformulação do programa de apoio “cheque-dentista”, especialmente para tratamentos mais complexos ou de reabilitação.

Sem estas intervenções urgentes, alerta a OMD, Portugal arrisca perder não apenas profissionais formados — mas também a capacidade de garantir acesso universal a cuidados de saúde oral, elevando as desigualdades e comprometendo a sustentabilidade do setor a médio e longo prazo.

O estudo pode ser consultado aqui.

9 Dezembro, 2025
Atualidade

Notícias relacionadas